terça-feira, 8 de setembro de 2009

MADRIGAL BRANCO – VIOGNIER 2007


Estamos perante um vinho da Estremadura, produzido na Quinta do Monte D’ Oiro por José Bento dos Santos.

Possuí um aroma com notas a frutos tropicais, sem esquecer os clássicos pêssego e melão.

Num estilo fresco, fino e delicado, este Viognier não nega porém a sua génese untuosa e com bastante corpo.

Mostra assim algum peso na boca, está envolvente e gordo, meloso mas bastante equilibrado e com final muito longo e persistente.

Enfim, um vinho branco português de inegável excepção!

VIOGNIER – Uma Uva de Carácter Especial


A Viognier é uma espécie de uva branca cultivada há séculos em França, de onde é autóctone, particularmente, da Côte du Rhône.
Nos anos 70 foi praticamente excluída dos vinhedos franceses e da respectiva produção de vinhos, mas nos anos 80 voltou a “entrar na moda” e a ser novamente reconhecida como uma da mais nobres castas brancas do mundo.
No copo, a uva Viognier tem uma coloração amarelo-palha, com leve reflexo esverdeado.
Revela ainda óptimos aromas frutados, mormente, a pêssego e a melão, com um leve defumado e uma discreta lembrança a frutos secos.
Funciona lindamente com alguns pratos de mariscos mais corpulentos, diversos pratos de bacalhau e, em especial, com pratos confeccionados à volta do salmão.
As notas clássicas da uva Viognier estão bem patentes no seu aroma, nas suas já referidas nuances de pêssego e flores de laranjeira, por vezes também complementadas com notas de ananás.
A generalidade dos vinhos Viognier apresentam-se gordos na boca, bastante sedosos e com uma estrutura e complexidade que fazem deles, muitas vezes, uns excelentes brancos de inverno.

QUINTA DO PORTAL BRANCO – 2008


Parceiro do meu jantar Algarvio de hoje, revelou-se um excelente acompanhante de ostras ao vapor, ameijoas à bolhão pato e um bem confeccionado arroz de ligueirão.

Estamos perante um blend duriense composto por Rabigato, Malvasia Fina, Gouveio e Viosinho.

Trata-se de um vinho jovem e aromático, com excelente estrutura e um final de boca firme e prolongado.

Revela notas de vegetal verde no aroma e o seu perfil, sendo acessível e discreto, é também bastante evidente.

A acidez bem estruturada está bem presente e será certamente um parceiro ideal para uma mesa composta por peixes e mariscos.

Um vinho para se beber fresco e enquano novo.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

MARQUÊS DE RISCAL BRANCO (VERDEJO) - 2007


A BODEGA HEREDEROS DE MARQUÉS DE RISCAL é uma empresa pioneira do sector vitivinícola espanhol.

Em 1858 tornou-se a primeira bodega da tradicional região espanhola de Rioja Alta, onde se elaboram vinhos segundo métodos bordaleses.

Foi também a primeira bodega impulsora da Denominação de Origem Rueda, onde hoje se elaboram os famosos vinhos brancos de MARQUÉS DE RISCAL, o untuoso sauvignon blanc e o gastronómico verdejo.

O branco RISCAL RUEDA 2007, VERDEJO, destaca-se pela sua frescura e apresenta uma boa aptidão gastronómica.

De Cor citrina suave, este vinho evidência um aroma a frutas frescas, como o limão e as maçãs ácidas.

Na boca vale essencialmente pela acidez bem integrada que possui mas revela-se um pouco curto no final.

KRACHER BEEREAUSLESE - 2005, BURGELAND, AUSTRIA



KRACHER BEEREAUSELESE – ÁUSTRIA.

Produzido por Alois Kracher, um dos mais famosos produtores da Áustria:
Este vinho de “podridão nobre” é elaborado através das castas chardonnay (80%) e riesling (20%).

Sendo considerado o gênio dos vinhos doces austríacos, Kracher produziu este Cuvée Auslese, com elevada percentagem de açucar residual (por isso se trata de um Beerenauslese) o qual possuí um sabor intenso e marcante.

Na boca é leve, profundo e revela uma óptima acidez.
Tratando-se do vinho base deste produtor, demonstra porém ser um vinho de uma enorme empatia e extremamente complexo.

Muito evidente nas frutas é, contudo, bastante elegante e delicado.
Excelente relação qualidade/preço.

domingo, 2 de agosto de 2009

RIESLING - A grande senhora da Alemanha


Uma casta com tanto de sublime como de mal amada...

Grande parte dos críticos de vinho são apaixonados pela uva riesling, que se tem revelado ao mundo como uma cepa que busca reinar nos domínios das uvas brancas pelo quesito da qualidade.
A guerra entre as tintas cabernet sauvignon e syrah (shiraz) e as brancas chardonnay e riesling promete ainda muitos batalhas no futuro.
Entre os amantes da riesling estão os especialistas ingleses em vinhos Jancis Robinson, Hugh Johnson e Oz Clarke.
Ela pode não ter muitos adeptos, ou não ser tão popular quanto a chardonnay, mas aqueles que a amam consideram-na uma das melhores variedades de uva do mundo.
A paixão pela riesling não existe por acaso, há inúmeras e diversas razões.
A sua alta acidez e seu teor alcoólico relativamente baixo fazem dela a companhia ideal, além de expressar de maneira magnífica o seu terroir, sua origem.
A Riesling é uma uva que fala de onde vem - sendo esta uma característica importante dos grandes vinhos.
Essa sua versatilidade é devidamente compreendida no seu berço de origem - Alemanha, mais especificamente em Mosel, Rheingau e Pfalz, mas também na Alsácia, assim como em algumas regiões frescas do Novo Mundo, como a Austrália e a Nova Zelândia.
Nesses países e regiões, esta uva propicia estilos e texturas diferentes, não se deixando cair na monotonia de sua rival chardonnay.
Devido à sua acidez vibrante, os vinhos feitos desta uva podem ter um vida longa, mostrando, ao contrário do pensamento reinante sobre brancos, que alguns riesling pedem tempo em garrafa para ser consumidos em todo o seu esplendor, aguentando muito bem a guarda.
Quando envelhece bem, brinda-nos com aromas de frutas maduras e petróleo.
Os vinhos à base desta uva mostram estilos diversos, podendo ser ultra-secos ou intensamente doces.
Além dos secos, temos o estilo doce e gelado dos icewines, os colheitas tardias frequentemente atacados pela podridão nobre da Botritys) beerenauslese e trockenbeerenauslese (alemães) e seus semelhantes fora daquele país.
Mesmo na Alemanha não se pode falar num só riesling, pois um observador mais atento percebe uma certa cremosidade envolvida por aromas de pêssegos e pêras sobre um corpo mais evidente nos originários de Rheingau (clima mais quente), quando comparados com os de Mosel-Saar-Ruwer, que mostram aromas mais frescos, cítricos e minerais.
Os melhores riesling da Áustria vêm da região de Wachau e mostram-se firmes, secos e minerais. No entanto, é de Haut-Rhin, a metade Sul da região da Alsácia, que vêm os melhores exemplos desta fabulosa uva.
Aqui temos os perfumes típicos da casta, ultra-secos, com um toque metálico. Assim como alguns com diferentes graus de doçura, desde os intensamente doces (sélection de grains nobles), aos meio-secos e doces (vendage tardive).
Ao Norte da Itália, em vinhas altas do Alto Adige, surgem alguns exemplares desta variedade de uva bem diferentes dos usuais brancos italianos.
De regiões mais frescas da Austrália surge um estilo de riesling seco, vigoroso, limonado, com toques de torrada fresca à medida que envelhece.
Na Nova Zelândia, alguns colheitas tardias, afectados pela podridão nobre, são fantásticos.
O Canadá também produz interessantes icewines a partir desta casta.
Como promessa, há ainda alguns vinhos riesling da Argentina e Chile. É importante dizer que a riesling não gosta de madeira porque não precisa dela.
Os seus próprios aromas (potentes, intensos e ricos), a sua elevada estrutura e o seu refinado equilíbrio fazem com que ela não precise do carvalho para revelar todo o seu esplendor. Combinar pratos asiáticos (China, Tailândia, Japão e Índia) com um vinho da casta riesling poderá ser muitas vezes uma aposta correcta.

sábado, 25 de julho de 2009

A ALMA DO VINHO


A Alma do vinho assim cantava na garrafa:

"Homem, ó deserdado amigo, eu te compus, nesta prisão de vidro e lacre em que me abafas, um cântico em que só há fraternidade e luz! "

"Bem sei quanto custou, na colina incendida de causticante sol, de suor e de labor, para fazer minha alma e engendrar minha vida."

Mas eu não hei-de ser ingrato e corruptor..."

CHARLES BAUDELAIRE, in LES FLEURS DU MAL
(extraído do poema L'Âme du Vin)

PINOT NOIR - Uma casta de eleição...da minha eleição!

A Casta Pinot Noir

A Pinot Noir é uma das uvas mais complexas do mundo. De nome charmoso, ela é a grande dama das uvas viníferas europeias, particularmente na França de onde é autóctone.
Poder-se-á dizer que a Pinot Noir é uma uva muito bem nascida. O seu berço foi a maravilhosa Borgonha. Uma província localizada a sudeste de Paris que tem como principal região de vinhos a Côte D'Or (encosta dourada), subdividida entre a Côte de Beaune, a sul, e a Côte de Nuits, ao norte.
Poucas são tão importantes no mundo como ela. Cultivada há séculos, nunca se conseguiu saber exactamente o que o seu nome significa.
Contudo, acredita-se que este provenha da própria configuração dos seus cachos que se assemelham a pinhas ou outras coníferas.
Manuseá-la nas vinhas exige muito trabalho e, para a degustar, é necessária uma compreensão diferente da que normalmente necessitamos ter para outros vinhos tintos.
Na produção de tintos, ela dificilmente é blended (misturada) com outras uvas, tendo alcançado a sua fama em vinhos varietais (monocastas).
Esta nobre uva dá origem a vinhos, de uma maneira geral, sensuais, pálidos, delicados, perfumadamente doces e muitas vezes para reflexão.
Pode representar uma relação de amor e ódio, tanto para o produtor quanto para o consumidor. Pode dar origem ao vinho da maior qualidade que algum dia já se provou ou àquele que, pela menoridade com que se apresenta, nos desilude em toda a sua dimensão.
Ao contrário da Cabernet Sauvignon, que se adapta e se afirma em quase todas as regiões, a Pinot Noir exige viver num clima perfeito, exige a quantidade exacta de estágio em barrica (apenas o suficiente para lhe adicionar complexidade) e, ainda, o preciso amadurecimento dos seus taninos (o suficiente para lhe garantir uma textura aveludada).
A sua difícil adequação a outros tipos de habitat é uma das razões pela qual não possuímos muitas regiões do mundo com vinhos Pinot Noir destacados.
Em climas demasiado quentes produz vinhos que beiram a marmelada, perdendo todo o seu carácter. Quando desequilibrada, a Pinot Noir origina vinhos diluídos e herbáceos, com taninos verdes e amargos.
No entanto, quando esta surpreendente uva atinge o seu exacto equilíbrio, o resultado pode ser verdadeiramente excepcional, conforme se tem vindo a assistir desde longa data em duas das mais nobres regiões francesas - na Borgonha, onde se assume como casta soberana no que concerne à produção de vinhos tintos e em Champagne onde é, muitas vezes, a espinha dorsal de um dos vinhos mais singulares do planeta - Le Champagne.
Efectivamente, é nestas regiões vitivinícolas, para cujos viticultores e produtores se assume como um verdadeiro tesouro, que a Pinot Noir é tratada com a atenção, o carinho e a dedicação de que tanto carece.
No vinhedo, é uma uva de amadurecimento precoce e por isso uma das primeiras a serem colhidas.
Para além de exigir cuidados redobrados na vinha ela é também algo complicada de trabalhar depois de colhida, já que a sua fina casca ou película se rompe facilmente, liberando todo o sumo da fruta.
Em adição a essas características, a Pinot Noir tem, normalmente, menos taninos e pigmentos, produzindo quase sempre vinhos mais claros.
Não há como negar que, tanto no seu processo de desenvolvimento na vinha quanto no processo de vinificação, esta uva requer muito mais devoção se comparada com qualquer outra uva que produz vinhos tintos.
Até algum tempo atrás, quem desafiou a Pinot Noir e resolveu cultivá-la fora da Borgonha colheu infortúnios.
Contudo, a despeito das imensas dificuldades que ela apresenta, plantá-la sempre foi uma tentação irresistível. Que o digam os vinicultores do Novo Mundo.
Hoje, pese embora o seu número seja ainda reduzido, já se vão encontrando bons vinhos da casta Pinot Noir nos Estados Unidos (Oregon e Califórnia), na Nova Zelândia, no Chile, na Argentina e na África do Sul.
Se for verdade que o gosto contemporâneo tem tendência a abdicar dos vinhos mais pesados e carregados, voltando-se para vinhos mais elegantes, não poderá haver terreno mais propício à Pinot Noir, que dessa forma, esperemos que sem perda da sua aristocrática singularidade, se poderá “democratizar”, deixando de ser apenas um privilégio de alguns e apareça no mercado a preços menos proibitivos para grande gáudio dos seus inúmeros apreciadores.

Olga Cardoso

quarta-feira, 22 de julho de 2009

DESPERTAR DE UMA PAIXÃO...




Apesar desta minha paixão ter nascido apenas há cerca de 2 anos, o que no vasto universo dos vinhos é muito pouco, decidi partilhá-la de uma forma mais generalista, abrindo-a ao mundo da blogosfera.  

E foi assim que às 22:55 do dia 22 de Julho de 2009 dei à luz aquilo que pretende ser um enoblog. Ups!