Produtor: Maria Antónia Pinto de Azevedo Mascarenhas
Enólogo: Rui Cunha
Castas: Gewurztraminer, Riesling e Malvasia Fina
Vol. Álcool: 13,5%
P.P.V.: +/- € 9,50
A Quinta de Valle Pradinhos está situada nas Montanhas Transmontanas, perto de Macedo de Cavaleiros, numa área de Portugal que iniciou a sua produção de vinhos em tempos medievais durante o nascimento da Nacionalidade Portuguesa.
Este vinho nasceu da paixão de um homem pelas castas Gewurztraminer, oriunda do norte da Itália mas que encontrou na região francesa da Alsácia o seu habitat de eleição e pela casta Riesling, a grande dama da Alemanha.
A este blend de castas estrangeiras juntou-se ainda a nossa bem conhecida casta Malvasia Fina, que vem conferir um cunho mais “nacional” ao seu conjunto aromático global.
Já andava à procura deste vinho há quase dois anos. Muito tinha ouvido falar dele. Só maravilhas e elogios. Tanto tempo esperei que… confesso, até já me tinha esquecido dele. Mas eis que o encontro, completamente sem querer, assim meio por acaso, se é que o acaso existe…?!
Com um nariz muito perfumado e intenso, este vinho mostra-nos toda a sua pujança aromática logo à entrada, sem medos nem complexos, remete-nos desassombradamente para refinadas e deliciosas sensações florais. Mas serão mesmo flores…? Ou serão as tão peculiares lichias típicas da casta Gewurztraminer a falarem mais alto? De seguida invadem-nos as suas notas de pêssegos, de alperces maduras e de mangas acabadas de laminar.
Com algumas notas cítricas e simpática mineralidade, este vinho possui também uma boca muito viva, com elevada frescura e um corpo médio mas robusto.
Com uma acidez desconcertante, este vinho detém um final de boca de grande persistência, com uma doçura floral nada enjoativa que teima em não nos largar!
Um branco ousado e invulgar, que sem grande dificuldade se impõe pela diferença e que eu saiba, sem qualquer semelhante à altura… Nota pessoal: 17
O ano 2007, não obstante a humidade e precipitação que se fizeram sentir nos meses de Junho e Julho, acabaria por se revelar um excelente ano vitícola.
Um ano de grande regozijo e exultação, em que todos ou quase todos declararam convictamente Ano Vintage, declaração clássica pela qual há muito se esperava.
Uma colheita efectivamente atípica e gloriosa, que nos proporcionou Vintages de elevadíssima qualidade. Vinhos de grande nobreza e harmonia, vinhos extremamente equilibrados e sofisticados que até nos fazem duvidar da sua tão tenra idade.
Os Vintage são vinhos de uma só colheita, vinhos raros e excepcionais, produzidos em anos de qualidade superior e engarrafados muito cedo, entre o segundo e o terceiro ano pós colheita.
São vinhos de lote, lote de castas mas geralmente também de lote de quintas, pertencentes à família de Vinhos do Porto designada por Ruby e que se caracterizam pela sua cor granada (rubi), pelos seus aromas predominantemente primários, provenientes da fruta e pelo seu envelhecimento em garrafa, num ambiente muito fechado e com muito pouco contacto com o oxigénio.
Podendo ser consumidos desde logo, estes vinhos possuem também uma notável capacidade de envelhecimento em cave, onde ao longo de décadas vão desenvolvendo poderosos aromas e o sublime sabor opulento que caracteriza um Porto Vintage maduro.
Estes três Vintages de que irei agora falar, são produzidos pela Família Symington e foram recentemente provados na garrafeira Wine o’Clock de Matosinhos, numa prova conduzida pelo enólogo Charles Symington.
DOW’S VINTAGE 2007
Com uma cor muito negra e compacta, este vinho apresenta uma estrutura e uma concentração francamente notáveis.
Vigoroso e tenso, austero e sisudo, este Vintage prendeu-me de imediato aos seus encantos musculados. Com aromas a frutos silvestres, como amoras e cassis, revela ainda elegantes notas vegetais e minerais.
Na boca apresenta taninos fortes e sólidos, acompanhados de uma acidez de acertado requinte.
Complexo e com alma, este Dow’s 2007 é um Vintage tendencialmente mais seco e faz adivinhar uma longevidade que nada nem ninguém lhe poderá seguramente usurpar.
Um Vintage absolutamente colossal.
P.V.P.: +/- € 52,00 Nota pessoal: 19
GRAHAM’S VINTAGE 2007
De cor densa e quase impenetrável à luz, este Vintage apresenta um nariz inebriante com aromas a fruta preta e compotada, com notas balsâmicas e ainda uma suave menta e um perfumado eucalipto a acompanhar.
Com uma boca cheia e aveludada, este vinho mostra-se muito extraído e rico, com taninos finos e sedosos.
Um Vintage dócil e macio que poderá ser consumido desde já, apesar de possuir uma vida muito longa pela frente.
Um Vintage de porte aristocrático, com carácter e com postura. Um vinho de uma elegância arrasadora…um vinho galanteador!
Seguramente um dos melhores Vintages desta colheita.
P.V.P.: +/- € 57,00 Nota pessoal: 18,5
QUINTA DO VESÚVIO VINTAGE 2007
A sua cor é muito carregada e densa, quase negra. O seu nariz apresenta-se muito completo e complexo, com muita fruta madura em evidência. Muito vegetal, com a habitual esteva duriense à cabeça, este vinho presenteia-nos ainda com elegantes notas minerais e uma deliciosa pimenta preta a fechar o seu conjunto aromático.
Na boca mostra-se muito concentrado e encorpado, com taninos finos e polidos, muito sofisticado e com uma textura vigorosa.
Um vinho muito bem feito e sem excessos, que possui um final terrivelmente harmonioso e portentoso.
Este Vintage possui também a particularidade de ter sido pisado a pé, em lagares tradicionais, com a participação de todos os elementos da família Symington directamente ligados à produção de vinhos do Porto.
Um vinho de Quinta, que nos revela de forma ostensivamente perfeita, a magnanimidade do seu terroir.
Jorge Moreira foi enólogo da Real Companhia Velha durante alguns anos, casa onde, aliás, adquiriu vasta experiência.
A determinada altura, sentiu a necessidade de iniciar um projecto individual onde pudesse aplicar as suas próprias ideias e produzir vinhos que conseguisse chamar de realmente seus.
Comprou uma pequena quinta no Douro e o primeiro resultado desse projecto foi o Poeira 2001.
A Quinta do Poeira está situada em Provesende, ao longo de uma encosta no vale do Pinhão, na margem direita do rio com o mesmo nome. Uma enorme e velha moradia, rodeada por vinha, oliveiras e floresta, inserida numa paisagem de cortar a respiração, intensa e deslumbrante. O proprietário considera “que é um dos melhores vales de vinha do Douro”.
Em 2004, quando estava a preparar o terreno para nova plantação, Jorge Moreira deparou-se com um hectare de terreno com um solo completamente diferente do resto da quinta, mais fundo, menos pedregoso, mais fértil e com maior disponibilidade de água. Uma parcela situada numa zona mais abrigada, com menor número de horas de exposição solar.
Pareceu-lhe então evidente que, não obstante tratar-se de um terreno classificado como letra A (terrenos com apetência ideal para a produção de vinho do Porto), tinha pela frente uma oportunidade de produção de uvas brancas de excelente qualidade.
Os vinhos de que vos vou aqui falar representam as novas colheitas deste projecto e foram recentemente provados na garrafeira Wine o’ Clock de Matosinhos, numa prova conduzida pelo próprio Jorge Nobre Moreira.
PÓ DE POEIRA BRANCO 2008
Castas: Alvarinho (65%) e Gouveio (35%)
Vol. Álcool: 13,5%
P.V.P.: – 16,00 – 17,00 €
De inicio mostrou-se algo vincado pela madeira, culpa do copo demasiado estreito e do pouco tempo que teve para respirar.
Mais acomodado ao seu vasilhame e já devidamente agitado, este branco começou então a revelar a sua enorme mestria.
Com grande impacto aromático, onde predominam notas cítricas e minerais, este vinho possui um nariz com um conjunto bastante elegante e harmoniosamente integrado.
Na boca mostra-se igualmente elegante, com leves toques limonados, outros mais especiados e ainda um certo vegetal amargo ao fundo.
Com uma acidez muito viva e uma frescura que se faz sentir em toda a linha, este vinho mostra-se muito afinado e sem qualquer máscara.
Um branco diferente, muito expressivo e cheio de carácter.
Nota Pessoal: 16,5
PÓ DE POEIRA TINTO 2007
Castas: Touriga Nacional e Souzão
Vol. Álcool: 14%
P.V.P.: 16,00 – 17,00 €
Este vinho beneficiou do grande investimento feito nas vinhas novas, umas vinhas pensadas para ele, nascidas do pó e da poeira, da austeridade e da nobreza das terras durienses.
Com um estágio de doze meses em barricas, este vinho revela de imediato as suas notas adocicadas de baunilha e chocolate que tanto agradam à generalidade dos consumidores.
Muito concentrado e bem desenhado, este vinho, sem querer tirar todo o protagonismo ao seu irmão mais velho, mostra-nos um aroma fino e delicado, com a fruta de muito boa qualidade em evidência. Realço as suas notas de frutos silvestres a lembrar amoras e framboesas e algumas notas que até parecem de baga de sabugueiro.
Apresenta uma prova de boca muito atractiva, manifestando um perfil harmonioso e delicado, com taninos sedosos e uma frescura empolgante.
Com um conjunto muito envolvente, este vinho, de raro equilíbrio e subtileza, poderá e deverá ser consumido desde já, pese embora também me pareça ser detentor de considerável capacidade de envelhecimento. Nota Pessoal: 16,5
POEIRA 2007
Castas: Vinhas velhas com castas tradicionais misturadas e Tinta Roriz, a Touriga Franca, a Touriga Nacional, o Sousão e a Tinta Barroca.
Vol. Álccol: 14%
P.V.P.: +/- € 35,00
Excelente representante do afamado vigor do Douro, este tinto, que estagiou em barricas de carvalho francês durante 16 meses, foi produzido a partir de castas enxertadas em vinhas velhas (castas tradicionais misturadas) e de castas provenientes de vinhas mais novas, tais como a Tinta Roriz, a Touriga Franca, a Touriga Nacional, o Sousão e a Tinta Barroca.
Apresentando-se ainda bastante autoritário e musculado, este vinho revela contudo uma métrica muito precisa e um compasso extremamente regular.
Com uma complexidade, profundidade e concentração absolutamente fora do normal, presenteia-nos com um bom recorte aromático, onde as notas vegetais se fazem sentir de imediato, misturadas com toques minerais e fruta madura de muito boa qualidade.
Um vinho cheio, melodioso e bem proporcionado, que termina de forma persistente e nos comprova aquilo que poderá ser o resultado de uma maturação “quase” perfeita...
Filipa Pato é uma das enólogas da nova geração que mais tem dado que falar nos últimos tempos. Filha de um dos mais conhecidos e respeitados produtores de vinho da Bairrada - Luís Pato, cedo abandonou o proteccionismo das “asas” paternas e lançou-se em arrojados voos a solo.
Com formação académica em engenharia química, a Filipa iniciou a sua carreira profissional com um périplo por países muito fortes no que concerne à produção de vinhos - França, Argentina e Austrália. Quando voltou decidiu aplicar toda a experiência e know-how adquiridos na elaboração de vinhos próprios, que ela própria define da seguinte forma: São vinhos complexos, com capacidade de envelhecimento, mas que estão mais próximos do público jovem, ou seja, frutados mas com complexidade.
A Filipa Pato tem-se tornado, efectivamente, numa grande referência regional e nacional, capaz de produzir vinhos irreverentes e originais, vinhos que respondem pelas suas origens e pelo seu terroir e que, tal como ela, detêm uma personalidade muito própria.
No que ao vinho objecto desta nota de prova diz respeito, devo dizer-vos que ele me surpreendeu pelo seu lado bem disposto, pela sua postura alegre mas ao mesmo tempo séria e sensata. Uma espécie de compromisso entre a modernidade e a tradição. Aliás, associar técnicas inovadoras a algumas práticas tradicionais na vinha e na adega, espelham não só a prática diária desta enóloga, como também a sua filosofia.
Estamos realmente perante um vinho muito bem feito, que exibe uma cor de um forte amarelo palha esverdeado, onde os aromas frutados de lima e limão, provenientes da casta Arinto, estão bem presentes, mas onde notas mais cremosas e caramelizadas oriundas da casta Bical também se fazem sentir com igual intensidade.
Com evidentes toques minerais, este vinho revela uma boca com um corpo assaz robusto mas muito bem sustentado por uma notável acidez.
Um vinho bem estruturado e gastronomicamente versátil, que nos deixa um final de boca macio e algo frutado.
Este néctar é parcialmente fermentado (cerca de 30%) em barricas de carvalho francês já usadas. De facto, a Filipa sabe usar a madeira com a devida subtileza e nunca faz acréscimos de açúcar ou ácidos ao mosto para compensar deficiências que em alguns anos, as alterações climáticas possam provocar.
Um vinho alternativo, que traduz correctamente as nobres características de textura, corpo e equilíbrio conferidas pelos melhores solos argilo-calcários.
E se filho de peixe sabe nadar…filho de pato, não só nada muito bem com também voa na perfeição...!
Enólogo:João Paulo Gouveia, Carlos Silva e Miguel Oliveira
Castas: Touriga Nacional, Tinta Roriz e Jaen
Vol. Álcool: 14%
P.V.P.: +/- € 15,00
E porque são os vinhos apaixonantes que me movem e me compelem para a escrita, não podia deixar de partilhar com todos vocês as minhas impressões sobre o que de mais nobre e elegante se poderá fazer em Portugal – Vinha Othon Reserva 2006 - um verdadeiro Cavaleiro Andante dos vinhos portugueses.
Se procuram vinhos alternativos, se se sentem atraídos por novas descobertas, se buscam aventuras vínicas de infindável prazer, estou certa que na companhia deste vinho irão conseguir concretizar todos esses desejos.
Este vinho chega-nos da tão injustamente ostracizada Região Demarcada do Dão, mais concretamente da Quinta da Cruzadinha e é elaborado a partir das nobres castas, Touriga Nacional, Tinta Roriz e Jaen, enxertadas em vinhas velhas, com mais de 50 anos.
Como muito poucos conseguirão, este vinho possuí o condão de nos transportar ternamente no seu colo e de nos conduzir pelas suas próprias mãos até às mais puras sensações de profunda harmonia e de um equilíbrio emocionante.
De um intenso vermelho rubi, este tinto mostra-nos um nariz com muita fruta madura e franca, onde se sentem de imediato as groselhas, as ameixas e os mirtilos.
A sua madeira de boa qualidade está tão bem integrada que nem se sente. Será um defeito? Não, é seguramente uma qualidade!
A sua boca seduz, desde logo, pela sua notável acidez, pela sua delicada frescura e pelos seus taninos redondos, de uma elegância absolutamente irrefutável.
O seu final é descomunalmente marcante e persistente, parecendo até que todas as suas deliciosas sensações de boca não nos querem deixar partir.
Um exemplo ímpar de enorme complexidade e de grande concentração.
Um vinho com um porte aristocrático, onde a austeridade, a delicadeza e a sobriedade são adjectivos a ter em conta.
Estamos indiscutivelmente perante um tinto de grande personalidade, um tinto de enorme carácter, um vinho que consegue ser simultaneamente avassalador e comovente, atenta toda a graciosidade e grandiosidade com que nos presenteia.
Se este vinho não nos ajuda a atingir o sétimo céu, deixa-nos seguramente lá próximo!
Castas: Touriga Nacional, Tinta Roriz e outras provenientes de vinhas velhas
Vol. Álcool: 14,88%
P.V.P.: € 18,00 - € 20,00
A Quinta chama-se dos Poços porque quando é intensa a pluviosidade na região brotam múltiplas nascentes de água no seu solo.
A Quinta dos Poços situa-se na Região Demarcada do Douro (Património da Humanidade), mais concretamente na sub-região do Baixo Corgo, na freguesia de Valdigem, concelho de Lamego. É uma das mais antigas da região, sendo a casa-mãe um típico solar rural do século XIII. Na mesma estacionaram tropas francesas do General de Brigada Loison, o “Maneta”, aquando da primeira invasão francesa, em 1808. Esta Quinta pertence à família do Prof. Doutor José Manuel da Costa Mesquita Guimarães.
A Quinta dos Poços estende-se por 25 hectares de solo xistoso, típico da região, dos quais 21 estão totalmente mecanizados em patamares e ao alto. As castas nela produzidas são, por ordem alfabética, o Dozelinho Tinto (3%), Rufete (4%), Souzão (6%), Tinta Barroca (18%) Tinta Francisca (3%), Tinta Roriz (18%), Tinto Cão (6%), Touriga Franca (20%) e Touriga Nacional (22%). Estas castas são consideradas as mais características e tradicionais da Região e, no terroir, encontram-se distribuídas em parcelas segundo a disposição mais adequada em termos enológicos.
Este vinho apresenta uma cor muito concentrada, de um intenso vermelho rubi.
A sua vinificação ocorreu em lagar tradicional com pisa a pé, tendo estagiado em barricas novas de carvalho francês, durante doze meses.
O seu nariz, embora ainda um pouco austero e reservado, sugerindo-nos a eventualidade de uma profícua guarda em cave, aparece dominado pelas suas frutas pretas e maduras, acompanhadas de perto por ligeiras notas de tabaco, café e torrefacção.
Na boca, demonstra maior suavidade e alegria, apresentando uns taninos domesticados e uma textura fácil e sedosa.
Um tinto com um perfil perfeitamente actual que, não obstante os seus aromas estarem ainda algo fechados, pode e deve ser bebido desde já, podendo proporcionar-nos, desde que servido em copos correctos e a temperaturas adequadas, momentos de verdadeiro prazer.
Nota: 16 Olga Cardoso
* o texto em itálico foi retirado do site da Quinta dos Poços
A Quinta deve o seu nome ao primeiro proprietário, D. Pedro de Almeida, Vice-Rei da Índia, a quem D. João V concedeu o título de I Marquês de Alorna por actos de bravura na tomada da praça forte de Alorna, na Índia. Tendo comprado o Casal de Vale de Nabais em 1723, quando regressou a Portugal D. Pedro de Almeida fez dele o núcleo central de um vasto grupo de propriedades onde plantou as primeiras vinhas, mudando-lhe o nome para Quinta da ALorna. O Ribatejo é, desde sempre, uma região rica e apetecida, graças às férteis lezírias, ideais para a agricultura e criação de gado. E Almeirim era então conhecida pela qualidade da sua caça, muito frequentada por nobres e fidalgos, que aqui passavam tempos de lazer.
No palácio da Quinta, de estilo sóbrio, mas distinto erguendo-se de frente para o Tejo, iluminado pelo sol de fim de tarde onde ainda hoje reluz o brasão dos Almeida Portugal, nasceram e viveram várias gerações de Alornas, incluíndo D. Leonor (1750-1839), Marquesa de Alorna, notável poetisa e pintora, que aqui escreveu algumas das obras que a tornaram famosa.
Após cuidada vindima manual, as uvas que dão origem a este vinho branco são prensadas e fermentadas em cubas inox a cerca de 15º C. Uma vez composto o lote final, o vinho é estabilizado a frio e clarificado antes do engarrafamento.
De cor amarela esverdeada, este vinho, recentemente provado numa prova que visou demonstrar a correcta harmonização entre queijos e vinhos e teve lugar na Sala Ogival da ViniPortugal, no Palácio da Bolsa, no Porto, cativou-me essencialmente pelo seu nariz vibrante, deixando saltar as típicas notas cítricas de limão e laranja provenientes certamente da casta Fernão Pires, acompanhas por fortes laivos de tropicalidade emergentes da casta Arinto, deixando, aqui e ali, transparecer ainda um certo aroma de maracujá e também a melão bem maduro.
Não sendo tão exuberante na sua prova de boca, a verdade é que ela também não nos desilude, mostrando-se viva e muito fresca, revelando boa acidez e forte mineralidade .
Estamos assim, perante um óptimo vinho de entrada, de perfil simples mas muito correcto e equilibrado. Um excelente vinho para ser servido como welcome drink, para acompanhar uma diversidade de peixes e mariscos e, porque não, também um bela tábua de queijos variados.
Nota: 15,5 Olga Cardoso
*O texto em itálico foi retirado do site da Quinta da Alorna.
Castas:Touriga Nacional (65%), Tinta Barroca (20%), Touriga Franca (13%) e Sousão (2%)
Teor Álcool: 15%
P.V.P.: +/- € 17,00
Estranho me parece que o projecto Quanta Terra continue a ser um ilustre desconhecido para a generalidade das pessoas. Efectivamente, quando questionadas, a maioria das pessoas que abordo confessam-me desconhecer por completo estes vinhos.
Felizmente, o mesmo não se passa junto dos maiores apreciadores dos vinhos nacionais, que já se aperceberam que estamos perante uma casa capaz de produzir grandes vinhos, de uma forma transversal e com uma das melhores relações qualidade preço praticadas na região em causa – o Douro.
O projecto Quanta Terra nasceu do esforço e empenho pessoal de Celso Pereira e Jorge Alves, dois homens profundamente experientes e conhecedores deste especial terroir, das suas condições climatéricas, dos seus solos, da ideal exposição solar das vinhas, inclinações, altitudes, castas, etc..
Todo este conhecimento e dedicação só poderia conduzir à enorme qualidade com que estes vinhos nos presenteiam.
Ainda longe das luzes da ribalta, estes meritosos vinhos e este consistente projecto - Quanta Terra, acabarão, seguramente, dentro de pouco tempo, por alcançar o seu merecido lugar ao sol.
Pese embora o ano 2006 não tenha sido um ano de boa safra, pelo menos no que ao Douro diz respeito, este Quanta Terra Colheita Seleccionada apresenta-se de forma muito correcta e afinada, exibindo uma cor granada bastante intensa.
No nariz, revela-nos, desde logo, as suas frutas bem maduras, seguidas de suaves notas balsâmicas, devidamente acompanhadas por uma madeira bem presente mas muito equilibrada, com os seus toques fumados e até algum tabaco à mistura, a conferir uma grande concentração e complexidade ao seu arranjo final.
Na sua prova de boca, mostrou possuir muito bom corpo, com uma textura cheia mas assaz delicada, taninos redondos e acetinados, com sensações de menta e chocolate a marcarem também a sua presença.
O seu final é longo, persistente e de grande finura.
Estamos seguramente perante um tinto bem coeso, que impressiona pela sua enorme profundidade e pelo qual poderemos ainda esperar algum tempo, atenta a longevidade que se lhe adivinha. Nota: 17 Olga Cardoso
Produtor: Henrique Uva-Herdade da Mingorra Enólogo: Pedro Hipólito Castas: Douro (25%Tinta Barroca 25% Tinta Roriz) e do Alentejo (15% Aragonês e 35% Alfrocheiro)
Teor Álcool: 14%
P.V.P.: € 20,00 a € 23,00
No limiar desta “Minha Louca Paixão”, quando me comecei a sentir inexplicavelmente compelida a querer perceber o que realmente era isto do VINHO, pelo meio das minhas frenéticas buscas de conhecimentos vínicos na internet, tropecei neste Uvas Castas (…é verdade, tropecei é mesmo a palavra correcta).
Senti-me, desde logo, seduzida pelo seu nome - UVAS CASTAS, um nome com tanto de simples e poético como de forte e pujante, sobretudo se nos detivermos na sua enorme irreverência. Falo-vos de um vinho corajoso, destemido e audaz, que não sendo absolutamente inovador no seu conceito intrínseco (a mistura de regiões), teve o mérito de ter sido o primeiro, que já não o único, Douro-Alentejo.
De vinhos produzidos a partir de uvas provenientes de diferentes regiões e, até mesmo de diferentes países, existem já outros exemplos. Lembro-vos o caso do Dado, agora Doda (Dirk Niepoort-Douro e Álvaro de Castro-Dão), o caso do Pião (uvas de Piemonte-Itália e do Dão-Portugal), Dourat (Douro-Portugal e Priorat-Espanha) e ainda, se a memória não me traí, o Durodero (produzido a partir de uvas do Douro e da nossa vizinha espanhola – Toro/Duero).
E se o nome era já deveras apelativo, o seu rótulo, para além de todo o requinte e elegância, exibia-se ainda de forma extremamente esclarecedora. Que grande rótulo e que bonito contra-rótulo temos aqui! A todo este “hardware” vem por fim juntar-se uma genial e digna referência ao conceito de casamento do dublinense Sir Oscar Wilde. Grande ideia e, mais uma vez, corajosa irreverência.
No que toca às suas características organolépticas, e é disso que se me impõe aqui falar, devo-vos dizer que o bebi pela primeira vez há já algum tempo. No meio de toda a minha ignorância no que à prova dizia então respeito, pareceu-me, desde logo, um vinho a não esquecer. Por essa razão, resolvi investir em mais uma garrafa que guardei para mais tarde degustar.
Decidi fazê-lo no passado fim de semana, e em boa hora o fiz! Na companhia de comensais escolhidos a dedo, que se fizeram acompanhar de outros bons vinhos dos quais oportunamente falarei, este vinho, classificado indignamente como vinho de mesa face à legislação actualmente em vigor, foi-se portando à sua altura, fazendo jus ao seu espírito atrevido.
Com calma, devagarinho e com muita classe, foi-lhes aniquilando os mais nobres e doutos argumentos contrários a qualquer inovação vínica, deixando-os por fim rendidos aos seus ternos encantos (…lá se foram mais uns quantos “puristas” do vinho!).
De cor vermelha pouco carregada mas intensa e brilhante, revelou-se, de início, algo tímido, bastante reservado nos aromas, demasiado low profile, diria mesmo. Com o desenrolar da prova, já devidamente “respirado”, foi mostrando toda a força do seu nariz, deixando então soltar as suas frutas maceradas, com café e chocolate à mistura, proporcionalmente emparelhados com as suas notas vegetais e o seu fundo bem terroso.
Era o grandioso Douro a manifestar-se com todo a sua garra! E lá estavam a habitual esteva, a simpática urze e também, porque não, o perfumado aneto. Na boca, revelou toda a sua suavidade, mostrando enorme elegância, com um corpo e uma acidez a aguentarem muito bem os seus taninos. Termina de forma marcante, mas com muita “doçura na voz”. Aqui, digo eu, o Alentejo saiu a ganhar.
“O seu estágio teve a particularidade de “ter sido feito em duas fases e separadamente para os vinhos do Douro e do Alentejo”, explica Pedro Hipólito. “Primeiro estagiaram cerca de cinco meses em barricas, para depois serem loteados, regressando à madeira para perfazerem cerca de 12 meses de estágio”.
“O objectivo foi aliar a complexidade, o vigor, a concentração e a frescura – afinal as características mais marcantes dos vinhos do Douro – com a tradicional suavidade dos vinhos do Alentejo”, sublinha Pedro Hipólito, o enólogo do projecto Henrique Uva/Herdade da Mingorra. “Uma experiência muito enriquecedora, mas também um projecto que nasceu da necessidade de criar vinhos para nichos de mercado. É que com as prateleiras saturadas de referências cada vez mais iguais entre si, faz todo o sentido lançar um vinho como o Uvas Castas, até por poder preconizar uma solução de futuro, na procura de valores de diferenciação”.
Este vinho encerra em si mesmo, atrevo-me a dizer, algo de mágico ou alquímico e ainda a ambivalência de nos conseguir transportar, de forma pretensamente equitativa, para duas das principais regiões vitivinícolas portuguesas, o arrebatador DOURO e o lânguido ALENTEJO.
Ousando, por fim, definir este vinho numa só palavra (condensá-lo num só grito como diria a grande Florbela Espanca)e procurando resistir à tentação de plagiar outros apreciadores que sobre ele já se pronunciaram com nomes como ímpar, singular ou diferente, que tal… apelidá-lo “simplesmente” de…ÚNICO!
A casta que está na origem deste vinho é seguramente uma das mais enigmáticas e indecifráveis castas brancas de que tenho conhecimento. Há quem afirme que tal como as diferentes variantes da família Malvasia, esta casta terá tido a sua génese na famosa ilha grega de Creta. A verdade é que esta fascinante casta branca sempre se prestou a enormes equívocos e flagrantes erros de toponímia.
Não obstante a relação parental que sempre lhe quiseram estabelecer com a casta Verdejo de Espanha e Verdello de Itália, rigorosos estudos ampelográficos efectuados concluíram pela total inexistência de similitudes genéticas.
Pese embora existam vários vinhos portugueses que exibem o nome Verdelho nos seus rótulos ou contra-rótulos, a verdade é que estamos perante castas com perfil totalmente diferente, tal como são o habitual Gouveio e mais actualmente a casta Verdejo que muitos dos nossos produtores vão buscar à região demarcada espanhola de Rueda.
É no Portugal insular, nomeadamente na ilha da Madeira, que esta casta subsiste e ganhou grande reputação internacional, mormente, na elaboração dos vinhos generosos.
Actualmente é sobejamente utilizada na Austrália, país onde integra uma das mais fortes apostas de nichos de mercado.
Em Portugal, tem sido efectivamente através dos vinhos generosos da Madeira que esta casta extremamente aromática, repleta de aromas tropicais e profusamente cítrica mais se destacou e realmente se afirmou.
Apesar destas suas excelentes características, só no início do século XX é que ela foi elevada à condição de casta nobre, sendo, contudo, ainda uma das castas ditas de excelência com menor área de plantio.
Este vinho tranquilo denominado PRIMEIRA PAIXÃO VERDELHO 2008, um branco VQPRD Madeirense, resultou da PAIXÃO PELO VINHO de diferentes amigos, nomeadamente, os enólogos Francisco Albuquerque e Rui Reguinga que, aproveitando, quiçá, uma das mais fascinantes variedades de uvas brancas, deram corpo a este projecto que visa implementar-se no mercado nacional como um projecto genuíno e que pretende dar a conhecer aos portugueses o que de mais português eventualmente existirá.
Extremamente aromático, este vinho apresenta uma cor de um amarelo discreto mas muito sedutor, exibindo um nariz muito expressivo com notas tropicais bastante evidentes.
Com sensações cítricas de lima e limão a emergirem logo à entrada, este vinho transporta-nos ainda para aromas a lembrar a maracujá, com alguma pêra fresca como que a saltar do seu fundo, acompanhada ainda de uma forte e bem marcante mineralidade.
Na boca revela-se bem estruturado, com bom equilíbrio, elevada acidez e relevante frescura. Profusamente exótico, este vinho possui uma notável complexidade, com final médio mas muito bem pronunciado, que de alguma forma nos remete para momentos de uma certa introspecção e nos convida até a uma íntima reflexão.
Atrevendo-me a citar o afamado crítico de vinhos português, João Paulo Martins, no seu livro – VINHOS DE PORTUGAL 2010 -“como estreia não seria possível esperar mais”- vou, como já anteriormente referi, atrevidamente permitir-me augurar um grande futuro a este vinho, que em próximas colheitas nos irá certamente premiar com néctares de verdadeira eleição, possibilitando-nos a todos nós portugueses, a degustação de uma casta que erroneamente julgávamos conhecer…!