Este vinho branco alentejano é da inteira responsabilidade de Rui Reguinga. Licenciado em engenharia agro-industrial pelo Instituto Superior de Agronomia de Lisboa, Rui Reguinga possuí já um vasto e reconhecido curriculum vitae, com consultorias várias em território nacional e algumas até em países estrangeiros, tais como o Brasil e a Argentina.
Dando a cara por diversos projectos vitícolas de outros produtores, Rui Reguinga, um bom interprete de castas e terroirs, sentiu necessidade de produzir vinhos inteiramente seus, vinhos que de alguma forma carregassem os seus genes e espelhassem o seu próprio carisma.
No âmbito desse projecto pessoal, surge-nos este branco alentejano elaborado com uvas provenientes de vinhas velhas da Serra de São Mamede.
De um amarelo-palha pouco intenso, este branco revela um nariz algo selecto, um nariz muito gentil e delicado. Notórias sensações cítricas conferem bastante frescura ao seu bouquet, onde são também evidentes aprazíveis notas minerais e uns ligeiros toques de tropicalidade.
Mas se o seu nariz poderá ser rotulado de low profile, a sua boca, bem pelo contrário, só poderá ser apelidada de muito expressiva e expansiva. Com um corpo atlético e bem nutrido, este vinho revelou possuir uma deliciosa cremosidade e uma notável profundidade.
A sua boca é um misto de elegância e potência, uma mescla de peso e frescura, onde a acidez aparece a sustentar muito bem os seus laivos de gordura. O seu final é fresco, mineral e profundo.
Um vinho antagónico mas muito bem harmonizado, que de forma clara nos comprova o principio físico sobre a atracção e interacção entre cargas opostas.
Um vinho com carácter e atitude. Um vinho entusiasta... mas que também nos sabe entusiasmar!
Nota pessoal: 16,5
Vinho seleccionado pela Galeria de Vinhos para integrar o seu Clube de Vinhos do mês de Dezembro de 2009(www.galeriadevinhos.com)
Situado no coração da região nortenha do Minho,
perto de Vila Nova de Famalicão, o belíssimo Mosteiro de Santa Maria de Landim,
berço deste vinho varietal, vê as suas origens remontarem aos alvores da Baixa
Idade Média, muito embora as notícias a que tenhamos acesso sobre a sua
fundação sejam ainda escassas e até algo contraditórias.
Após o sucesso das suas primeiras edições, 2005 e
2006, e de uma colheita de 2007 que se desviou um ponto do perfil pretendido,
chega-nos este Camélia Loureiro Puro 2008.
Alicerçado sobre um nome romântico e primaveril,
este vinho extreme da casta Loureiro demonstra ser um bom exemplo dos suaves
encantos do Minho e das enormes potencialidades que se reconhecem a esta
aromática casta.
De cor amarelo-palha, muito ténue ou quase incolor,
este vinho revelou possuir um nariz bastante apelativo. Provado inicialmente
num copo mais estreito, deixou apenas soltar as suas simpáticas notas florais,
tão características da casta, como são a flor de sabugeiro e a flor de
laranjeira e as suas componentes frutadas pertencentes a diferentes espécies de
frutas cítricas.
Posteriormente provado num copo um pouco mais
largo, o seu nariz começou então a libertar aromas mais vegetais, a lembrar
erva molhada e folha de louro e outros ainda de carácter mais frutado que nos
atiram para um certa ameixa branca.
Na boca mostrou-se fresco e vibrante, com uma
acidez muito bem amparada e amaciada por um harmonioso açúcar residual.
Estamos perante um branco vivo e mordaz, que segue
as novas tendências dos Vinhos Verdes, onde, aliás, o Anselmo Mendes tem tido
uma importância capital.
Com final macio e bastante firme, este Loureiro
demonstrou possuir argumentos mais que suficientes para se afirmar num lugar
cimeiro, quer no mercado nacional, quer no mercado internacional.
Nota pessoal: 16,5
Vinho seleccionado pela Galeria de Vinhos para
integrar o seu Clube de Vinhos do mês de Dezembro de 2009 (www.galeriadevinhos.com)
Estágio: 6 meses em barricas novas de carvalho francês
Vol. Álcool: 14%
P.V.P.: +/- € 17,00
A história deste vinho começou a narrar-se em 2002, data em que a sua marca foi registada. Esta empresa há muito que pretendia produzir um topo de gama duriense que, segundo a própria descreve na sua ficha técnica, proporcionasse uma verdadeira orgia dos sentidos.
O mote estava lançado, faltando, contudo, o surgimento de um “mago” que com elevada mestria fizesse jus ao seu propósito.
Em 2006 esse “mago” apareceu mas numa versão feminina. Gabriela Canossa - “uma mera aprendiz de feiticeira”, segundo as suas modestas palavras.
Algum tempo depois, e também pelas mãos da sua “criadora”, este vinho ganhou um rótulo sugestivo e esclarecedor. Com traços simples mas seguros, o Arq. Siza Vieira desenhou um conjunto de corpos em perfeito deleite, numa volúpia de sentidos que traduzem correctamente a natureza do vinho que a garrafa encerra.
A Gabriela Canossa é ainda uma jovem enóloga mas já com vasta experiência. Encontrando-se presentemente a prestar assistência a alguns projectos vitivinícolas, começou a sua carreira na prestigiada Taylor’s, tendo passado também pela Real Companhia Velha e por uma profícua experiência internacional na região francesa da Alsácia.
Muito concentrado na cor, este Corpus revela um nariz intenso, com poderosos aromas varietais. Notas vegetais a lembrar a típica esteva e uma suave mineralidade estão também bastante presentes.
Na boca mostra-se guloso, com bom corpo e uma elegância desconcertante. Com apreciável frescura e taninos musculados, este tinto duriense demonstrou ser detentor de um final longo e cheio de força.
Este vinho de perfil moderno e até com um quê de paradoxal, já que tem tanto de vigoroso e aguerrido como de fino e elegante, irá certamente engrandecer-se ainda mais com um estágio em cave.
No entanto, não deixem de o degustar no imediato, pois não tenho a mínima duvida que ele poderá, desde já, proporcionar-lhes momentos de sublime prazer.
Um vinho refinado e genuíno que nos consegue facilmente remeter para um espaço transdimensional…para sensações de gáudio supremo e com algo de eterno…é isso mesmo…uma sensação de prazer perpétuo! Um vinho que possui, indesmentivelmente, uma energia telúrica e uma fluência etérea.
E se há vinhos que realmente nos conseguem espelhar a verdade…este é seguramente um deles! Só me apetece dizer - IN VINO VERITAS!…in casu…, VERITATIS SPLENDOR EST!
Esta genuína Quinta, desde há muito propriedade da família Moreira da Silva, tem vindo a ser objecto de consideráveis obras de recuperação e melhoramento, nomeadamente, no que concerne às suas condições de vinificação e guarda de vinhos.
A sua adega está agora melhor equipada e bastante funcional sem que o seu aspecto visual e arquitectónico tenha sido minimamente descurando, encontrando-se perfeitamente harmonizada quer com a construção local, quer com a paisagem envolvente.
Situada bem próximo da cidade da Régua, na designada sub-região do Baixo Corgo, esta Quinta possui uns vinhedos muito bem tratados e com excelentes exposições solares.
Favorecendo a plantação de uvas de elevada qualidade, tem vindo a presentear-nos todos os anos com vinhos inovadores e de carácter muito próprio.
Esta empresa, cujos trabalhos de enologia estão actualmente a cargo da dinâmica e proactiva dupla Gabriela Canossa e Vitor Carvalho, tem vindo a demonstrar um especial interesse quer pela inovação e investigação, quer pela reabilitação de castas actualmente pouco plantadas ou até mesmo quase abandonadas como são, respectivamente, a Tinta Francisca e a Touriga Fêmea.
Na recente visita que fiz a esta Quinta, onde fui ciceroneada pelos seus referidos simpáticos enólogos, pude conhecer os actuais vinhos desta casa, dando-vos agora nota das minhas impressões pessoais sobre alguns deles, deixando para um próximo comentário, até para não tornar esta exposição demasiado longa, os seus vinhos generosos e aquele que considero ser o seu grande porta estandarte – o CORPUS.
QUINTA DA REVOLTA ROSÉ 2008
De tom rosado meio pálido, este rosé foifermentado sob rigorosas condições de temperatura e revela toda uma vivacidade inerente à fermentação de sangras frescas das mais nobres castas tradicionalmente enxertadas no Douro, como são aTouriga Nacional, a Touriga Franca, a Tinta Roriz e a Touriga Fêmea.
No nariz evidência um aroma muito frutado, a lembrar frutos vermelhos tais como morangos, cerejas e framboesas, acompanhados bem de perto por fortes laivos vegetais.
Na boca mostra-se muito refrescante, com elevada acidez e uma generosa dose de mineralidade a conferir profundidade e complexidade a todo o seu conjunto.
Estamos perante um rosé bastante seco, com um perfil muito próprio e diferente do que tem sido habitual encontrar num mercado cada vez mais apetrechado de vinhos rosados. Uma moda que parece ter vindo para ficar.
Bastante gastronómico, característica que se confirma também pelo seu elevado teor alcoólico, este vinho possui um final de boca bastante elegante e reconfortante.
Nota Pessoal: 16,5 P.V.P.: 5 - 6 €
QUINTA DA REVOLTA RESERVA 2007
Este blend tipicamente duriense resulta da junção de quatro nobres castas provenientes de vinhas velhas, a saber: Touriga Nacional, Tinta Roriz, Tinta Barroca e Tinta Amarela.
De cor marcadamente ruby, o seu nariz revela acentuados aromas a ameixas pretas e frutos do bosque muitíssimo bem alicerçados em elegantes notas especiadas.
Com uma boa prova de boca, este Reserva demonstra grande potencial, apregoado pelas suas notáveis frescura e acidez e os seus refinados toques de tabaco e de ligeiro couro.
Se é verdade que o seu estágio de 12 meses em barricas de carvalho francês ainda se faz sentir, também não é menos verdade que um certo tempo em cave tudo irá harmonizar.
Um vinho complexo, cheio de personalidade, um vinho com uma pretensão plenamente justificada, cuja enorme complexidade e requintado carácter me deixaram boas recordações e elevadas perspectivas.
Nota Pessoal: 16,5 P.V.P.: 7 - 8 €
QUINTA DA REVOLTA TINTA FRANCISCA 2006
De cor intensamente granada, este vinho resulta de mais uma aposta ganha por parte desta empresa - a de persistir na plantação de uma casta pouca acarinhada nas últimas décadas e a da sua apresentação a solo, quando o mais habitual parece ser a sua utilização em vinhos de lote.
Um tinto que revela uma elevada finesse aromática, com muita fruta preta e madura de boa qualidade assente numa cama composta por subtis notas balsâmicas e suave pimenta preta.
Na boca mostra-se muito fresco, com uma boa e estruturante acidez, muito poderoso e com um final de grande comprimento.
No entanto, os seus taninos apresentam-se ainda algo rebeldes, como que a requerer ainda um certo período de acalmia em garrafa.
Trata-se efectivamente de um vinho guloso e com garra, cuja complexidade conferida por um prolongado estágio em madeira, aconselha e merece um adequado descanso em cave, por forma a que ele nos venha a demonstrar todos os seus fortes argumentos.
Nota Pessoal: 16 P.V.P.: 12 - 13 €
QUINTA DA REVOLTA TOURIGA FÊMEA 2007
Este vinho, vinificado segundo as mais rigorosas práticas enológicas, foi elaborado exclusivamente a partir da quase extinta Touriga Fêmea, casta que se caracteriza por uma baixíssima produção e uma grande concentração fenólica e aromática.
Muito concentrado na cor, este curioso vinho possui um nariz deliciosamente apelativo e inebriante. As suas notas de fruta preta e bem madura, misturadas com nobres sensações de mato, fazem dele um amante surpreendente.
Na boca apresenta-se encorpado e macio, com uma acidez muito correcta, taninos finos e uma subtil complexidade resultante do seu pequeno estágio em boas barricas usadas.
Um vinho muito curioso e sedutor, com um final longo e elegante que, não obstante estar já pronto para ser consumido, revela também um considerável pontencial de longevidade.
Agora que o conheci…este sumptuoso elixir de baco passará a ser seguramente uma presença assídua à minha mesa.
Produzido na Quinta do Torgal, situada em Barrô, em pleno Vale do Douro, este vinho foi elaborado a partir das castas Viognier e Sauvignon Blanc. Plantadas em magníficos solos graníticos e beneficiando já de um micro-clima de transição, estas uvas de origem francesa foram fermentadas de forma distinta antes de serem loteadas. A Viognier (casta com muito para dar e pela qual sou apaixonada) foi fermentada em barricas novas de carvalho francês, com batonnage semanal e a Sauvignon blanc (bordalesa de nascença, mas muito usada no Vale do Loire e também em países do chamado Novo Mundo) foi fermentada em cuba inox, a baixas temperaturas.
Pese embora seja uma acérrima defensora da utilização e divulgação das castas portuguesas, afinal de contas somos detentores de um vasto património ampelográfico, havendo mesmo quem afirme que se trata do maior acervo de espécies de uva da vitis vinifera existente no mundo (mas nisso já não acredito, pense-se em casos como o da Itália por exemplo!), a verdade é que também vejo com bons olhos a utilização de castas oriundas de outras paragens. Como consumidora que sou, e vendo o mercado já muito saturado com coisas cada vez mais iguais, apraz-me encontrar de quando em vez uma boa novidade vínica.
Provado incialmente a solo e depois maridado com um belo rodovalho no forno, este bivarietal revelou um nariz onde ressaltam de imediato os seus aromas mais vegetais, prontamente seguidos de deliciosas sensações a fruta madura como pêssego e melão e outra mais tropical a fazer lembrar o abacaxi e a manga.
Apresentando-se com aromas evidentes mas nada exagerados à madeira de carvalho francês onde a Viognier estagiou, com destaque para uns leves tostados e alguma baunilha, este vinho sobressai essencialmente pela sua exímia proporção fruta barrica.
Na boca mostra-se cheio e fresco, com uma ligeira untuosidade muito bem sustentada por uma acidez vibrante. Também aqui se faz sentir a sua fruta de boa qualidade e ainda um notório mineral proveniente das terras graníticas, os quais, felizmente, não foram minimamente beliscados pelos fumados da madeira.
Um vinho apelativo que nos surpreende a cada instante, resultado não só de uma vinificação cuidadosa e criteriosa a que o Francisco Montenegro nos tem vindo a habituar, mas também da qualidade da sua matéria prima. Uvas maduras e sãs pertencentes a castas muito distintas, que neste vinho se envolveram numa harmonia perfeita.
Quando pensamos que o conseguimos compreender, ele revela-nos novas facetas dos seus aromas e sabores. Um vinho que sofre constantes mutações ao longo da prova mas sempre com uma sofisticação e uma delicadeza absolutamente sui-generis.
Um vinho cuja complexidade não deixa que a fruta ou o carvalho dominem o conjunto, nem que a força supere a elegância. Um vinho impoluto, sem qualquer mácula,...um vinho que me deixou completamente rendida aos seus múltiplos encantos.