sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

BODEGAS CARRAU – PINOT NOIR RESERVA 2005


Região: Cerro Chapeu
Produtor: Bodegas Carrau
Enólogo: Francisco Carrau e Octavio Gioanació.
Castas: Pinot Noir
Teor Àlcool: 13,5%
P.V.P.: € 12,00 (Galeria de Vinhos)

Tendo sido fundada em 1752 por Don Francisco Carrau Vehils, na Catalunha (Espanha), a Bodegas Carrau já produz vinhos no Uruguai desde 1930. Sediada a poucos minutos da capital Montevideu, esta empresa vitivinícola é actualmente administrada pelos enólogos Francisco Carrau (nona geração da família) e Octavio Gioanació.
Sendo a Pinot Noir uma das castas mais complexas e delicadas de que há registo, talvez mesmo a mais caprichosa e melindrosa quer na vinha, quer na adega, atenta a sua maturação demasiado precoce e a sua película demasiado fina, é notável a forma como este produtor a conseguiu trabalhar e domesticar.
Trata-se de facto de uma casta surpreendente e enternecedora, mas que costuma obrigar a trabalhos redobrados, costuma exigir viver num clima perfeito e ser sujeita uma dose quase milimétrica de contacto com a barrica, apenas o suficiente para lhe conferir complexidade.
Efectivamente, até há bem pouco tempo atrás, quem desafiou a Pinot Noir e resolveu cultivá-la fora da Borgonha, colheu infortúnios. Felizmente, não foi esse o caso deste produtor.
Este Pinot Noir do Novo Mundo foi-me apresentado quatro anos após a sua colheita. Sendo um Pinot bastante diferente dos seus congéneres da Borgonha, revelou possuir um nariz onde estão bem presentes os aromas varietais típicos desta espécie de uva como são as framboesas, os morangos e as cerejas.
Com uma cor mais extraída do que é normal nos Pinot franceses, este vinho revelou possuir um nariz muito refinado e afinado, com notas de ervas que me lembraram chá preto e orégãos e outras de natureza mais terrosa como são os cogumelos e as trufas pretas.
Com um prova de boca que em nada desilude, onde notas balsâmicas e uns laivos de pimenta verde se fazem também sentir, mostrou ser detentor de uma acidez muito bem conseguida, com taninos finos e elegantes e com uma doçura superior ao habitual mas que lhe confere um certo charme e personalidade.
Com um final de boca que nos acompanha e nos seduz, este Pinot Noir mostra-se apetecível, prazeroso e bem formado.
Com uma excelente relação qualidade/preço, julgo estarmos perante um Pinot Noir que em nada envergonhará os mais sensíveis Petits Vignerons da famosa Côte d’Or Borgonhesa, sendo mesmo uma boa alternativa para quem se pretende iniciar nas ternas delícias desta casta apaixonante.
Nota pessoal: 16,5

Vinho seleccionado pela Galeria de Vinhos para integrar o seu Clube de Vinhos do mês de Dezembro de 2009 (www.galeriadevinhos.com)

http://www.galeriadevinhos.com/pt_pt/maxcontent/documento/59/clube-de-vinhos/

QUINTA DA VEGIA RESERVA 2005




Região: Dão
Produtor: Casa de Cello
Enólogo: Anselmo Mendes
Castas: Tourga Nacional e Tinta Roriz
Vol. Álcool:  13,50
P.V.P.:  € 24,00


A Casa de Cello é uma empresa familiar que se dedica à exploração vitícola das suas quintas desde o início do século passado. Foi nos anos 80 que um dos proprietários, João Pedro Araújo, deu início à profissionalização da actividade da Casa de Cello e reorganizou toda a estrutura existente com o objectivo de implementar as melhores tecnologias vitícolas e enológicas de forma a potenciar ao máximo a expressão dos seus “terroirs” nos vinhos criados.
A Quinta da Vegia integra a referida Casa de Cello e situa-se perto da Vila Histórica de Penalva do Castelo, na excelente mas por vezes tão esquecida, Região Demarcada do Dão.
Esta Quinta foi adquirida em 1999 em completo estado de abandono, contando actualmente com 60ha, dos quais 20ha são de vinha onde se acham enxertadas as castas Touriga Nacional, Tinta Roriz, Tinto Cão e Trincadeira Preta.
Muito concentrado na cor, de um ruby intenso e escuro, este tinto apresenta um nariz com muita fruta limpa e de boa qualidade. Frutas pretas e maduras acompanhadas por outras mais vermelhas e generosas.
As ameixas pretas, os mirtilos, as groselhas e as cerejas são frutos que poderemos descortinar nesse vinho, sem que para tal tenhamos que fazer qualquer esforço.
Complexo, o seu bouquet revela-nos ainda suaves notas mentoladas, extremamente bem integradas nos tostados da madeira.
Com uma prova de boca muito bem casada com o seu nariz, este vinho apresenta um corpo médio mas de notável robustez, com ligeiras notas balsâmicas e até um certo cacau a servirem-lhe de leito.
Um tinto vigoroso e aprumado, cheio de alma e coração, que enaltece de forma adequada o que de melhor se vai fazendo actualmente no Dão.
Com um estilo que, quanto a mim, estabelece um compromisso perfeito ente o modernismo e o classicismo, este Reserva demonstrou possuir uma apreciável capacidade de guarda.
Um excelente tinto português!                                                                             Nota pessoal: 17


Vinho seleccionado pela Galeria de Vinhos para integrar o seu Clube de Vinhos do mês de Dezembro de 2009 (www.galeriadevinhos.com)


TERRENUS BRANCO 2008


Região: Alentejo 
Produtor: Rui Reguinga 
Enólogo: Rui Reguinga 
Castas: Arinto, Fernão Pires e Roupeiro 
Vol. Alcool: 13,5% 
P.V.P.: 14,20 (Galeria de Vinhos)
Este vinho branco alentejano é da inteira responsabilidade de Rui Reguinga. Licenciado em engenharia agro-industrial pelo Instituto Superior de Agronomia de Lisboa, Rui Reguinga possuí já um vasto e reconhecido curriculum vitae, com consultorias várias em território nacional e algumas até em países estrangeiros, tais como o Brasil e a Argentina.
Dando a cara por diversos projectos vitícolas de outros produtores, Rui Reguinga, um bom interprete de castas e terroirs, sentiu necessidade de produzir vinhos inteiramente seus, vinhos que de alguma forma carregassem os seus genes e espelhassem o seu próprio carisma.
No âmbito desse projecto pessoal, surge-nos este branco alentejano elaborado com uvas provenientes de vinhas velhas da Serra de São Mamede.
De um amarelo-palha pouco intenso, este branco revela um nariz algo selecto, um nariz muito gentil e delicado. Notórias sensações cítricas conferem bastante frescura ao seu bouquet, onde são também evidentes aprazíveis notas minerais e uns ligeiros toques de tropicalidade.
Mas se o seu nariz poderá ser rotulado de low profile, a sua boca, bem pelo contrário, só poderá ser apelidada de muito expressiva e expansiva. Com um corpo atlético e bem nutrido, este vinho revelou possuir uma deliciosa cremosidade e uma notável profundidade.
A sua boca é um misto de elegância e potência, uma mescla de peso e frescura, onde a acidez aparece a sustentar muito bem os seus laivos de gordura. O seu final é fresco, mineral e profundo.
Um vinho antagónico mas muito bem harmonizado, que de forma clara nos comprova o principio físico sobre a atracção e interacção entre cargas opostas.
Um vinho com carácter e atitude. Um vinho entusiasta... mas que também nos sabe entusiasmar!
Nota pessoal: 16,5
Vinho seleccionado pela Galeria de Vinhos para integrar o seu Clube de Vinhos do mês de Dezembro de 2009 (www.galeriadevinhos.com)    

CAMÉLIA – LOUREIRO 2008


Região: Vinhos Verdes
Produtor: Mosteiro de Santa Maria de Landim
Enólogo:  Anselmo Mendes
Castas: Loureiro
Vol. Álcool: 12,5%
P.V.P. :  € 5,90 (Galeria de Vinhos)
Situado no coração da região nortenha do Minho, perto de Vila Nova de Famalicão, o belíssimo Mosteiro de Santa Maria de Landim, berço deste vinho varietal, vê as suas origens remontarem aos alvores da Baixa Idade Média, muito embora as notícias a que tenhamos acesso sobre a sua fundação sejam ainda escassas e até algo contraditórias.
Após o sucesso das suas primeiras edições, 2005 e 2006, e de uma colheita de 2007 que se desviou um ponto do perfil pretendido, chega-nos este Camélia Loureiro Puro 2008.                                                                                                      
Alicerçado sobre um nome romântico e primaveril, este vinho extreme da casta Loureiro demonstra ser um bom exemplo dos suaves encantos do Minho e das enormes potencialidades que se reconhecem a esta aromática casta.
De cor amarelo-palha, muito ténue ou quase incolor, este vinho revelou possuir um nariz bastante apelativo. Provado inicialmente num copo mais estreito, deixou apenas soltar as suas simpáticas notas florais, tão características da casta, como são a flor de sabugeiro e a flor de laranjeira e as suas componentes frutadas pertencentes a diferentes espécies de frutas cítricas.
Posteriormente provado num copo um pouco mais largo, o seu nariz começou então a libertar aromas mais vegetais, a lembrar erva molhada e folha de louro e outros ainda de carácter mais frutado que nos atiram para um certa ameixa branca.
Na boca mostrou-se fresco e vibrante, com uma acidez muito bem amparada e amaciada por um harmonioso açúcar residual.
Estamos perante um branco vivo e mordaz, que segue as novas tendências dos Vinhos Verdes, onde, aliás, o Anselmo Mendes tem tido uma importância capital.
Com final macio e bastante firme, este Loureiro demonstrou possuir argumentos mais que suficientes para se afirmar num lugar cimeiro, quer no mercado nacional, quer no mercado internacional.
Nota pessoal: 16,5 
Vinho seleccionado pela Galeria de Vinhos para integrar o seu Clube de Vinhos do mês de Dezembro de 2009 (www.galeriadevinhos.com)   

sábado, 5 de dezembro de 2009

CORPUS 2007


Região: Douro
Produtor: Veredas do Douro - Quinta da Revolta
Enólogo: Gabriela Canossa
Castas: Touriga Nacional e Touriga Franca
Estágio: 6 meses em barricas novas de carvalho francês
Vol. Álcool: 14%
P.V.P.: +/- € 17,00

A história deste vinho começou a narrar-se em 2002, data em que a sua marca foi registada. Esta empresa há muito que pretendia produzir um topo de gama duriense que, segundo a própria descreve na sua ficha técnica, proporcionasse uma verdadeira orgia dos sentidos.
O mote estava lançado, faltando, contudo, o surgimento de um “mago” que com elevada mestria fizesse jus ao seu propósito.
Em 2006 esse “mago” apareceu mas numa versão feminina. Gabriela Canossa - “uma  mera aprendiz de feiticeira”, segundo as suas modestas palavras.
Algum tempo depois, e também pelas mãos da sua “criadora”, este vinho ganhou um rótulo sugestivo e esclarecedor. Com traços simples mas seguros, o Arq. Siza Vieira desenhou um conjunto de corpos em perfeito deleite, numa volúpia de sentidos que traduzem correctamente a natureza do vinho que a garrafa encerra.
A Gabriela Canossa é ainda uma jovem enóloga mas já com vasta experiência. Encontrando-se presentemente a prestar assistência a alguns projectos vitivinícolas, começou a sua carreira na prestigiada Taylor’s, tendo passado também pela Real Companhia Velha e por uma profícua experiência internacional na região francesa da Alsácia.
Muito concentrado na cor, este Corpus revela um nariz intenso, com poderosos aromas varietais. Notas vegetais a lembrar a típica esteva e uma suave mineralidade estão também bastante presentes.
Na boca mostra-se guloso, com bom corpo e uma elegância desconcertante. Com apreciável frescura e taninos musculados, este tinto duriense demonstrou ser detentor de um final longo e cheio de força.
Este vinho de perfil moderno e até com um quê de paradoxal, já que tem tanto de vigoroso e aguerrido como de fino e elegante, irá certamente engrandecer-se ainda mais com um estágio em cave.
No entanto, não deixem de o degustar no imediato, pois não tenho a mínima duvida que ele poderá, desde já, proporcionar-lhes momentos de sublime prazer.
Um vinho refinado e genuíno que nos consegue facilmente remeter para um espaço transdimensional…para sensações de gáudio supremo e com algo de eterno…é isso mesmo…uma sensação de prazer perpétuo! Um vinho que possui, indesmentivelmente, uma energia telúrica e uma fluência etérea.
E se há vinhos que realmente nos conseguem espelhar a verdade…este é seguramente um deles! Só me apetece dizer - IN VINO VERITAS!…in casu…, VERITATIS SPLENDOR EST!                                   

Nota pessoal: 18