sábado, 5 de junho de 2010

QUINTA DO MOURO 2004


REGIÃO: Alentejo
PRODUTOR: Quinta do Mouro
ENÓLOGOS: Miguel Louro e Luis Duarte
CASTAS: Aragonez (50%), Alicante Bouschet (25%), Touriga Nacional (20%) e Cabernet Sauvignon (5%).
TEOR ALCOÓLICO: 14,5%
P.V.P.: 25,00 - 30,00 € 

Grande ano se revelou este 2004! 
Pese embora as vozes discordantes, a verdade é que todos nós assistimos ao surgimento de grandes vinhos resultantes desta safra bendita!
E não me refiro apenas a vinhos provenientes do Alentejo, mas também a outros vinhos emergentes das demais regiões vitivinícolas portuguesas.
Já conheci quem afirmasse que este Quinta do Mouro 2004 é o melhor vinho de sempre daquela propriedade, o melhor vinho que alguma vez aquele terroir terá visto nascer.
Tenho dúvidas, muitas dúvidas aliás! Não porque este não seja muito bom…mas porque existem tantos outros, tão fantásticos…tão soberbos…ou até mesmo melhores ainda?!
Será mesmo possível haver melhor, dirão alguns?
Se tal acontecer, será meramente por uma questão de maior ou menor identificação com o perfil em causa.
Miguel Viegas Louro, o produtor responsável por tão ilustres vinhos, pessoa com a qual falei de forma muito fugaz na edição 2009 da Essência do Vinho, não concorda com a hegemonia atribuída a este Quinta do Mouro 2004.
Pessoalmente, segundo me afirmou, inclina-se mais para um perfil de jaez mais robusto, mas taninoso, mais difícil…nas palavras dele…!
Mas será que estamos perante uma vinho fácil, directo, imediatamente perceptível a qualquer consumidor que seja? Nada disso, digo eu!
Simplesmente, o que ele, Miguel Louro, me terá querido dizer, é que prefere vinhos mais duros, vinhos menos prontos à partida e que, por essa razão, revelem uma maturidade mais longínqua.
Afinal prontidão nunca foi sinónimo de longevidade, pois não…!?
Será mesmo, permito-me perguntar?!
Não obstante, entender que não poderemos, leviana e peremptoriamente, considerar este vinho como o melhor de sempre da Quinta do Mouro, a verdade é que julgo que estaremos mesmo perante uma excepção que confirmará a regra.
Perdão Senhor Produtor…mas não concordo consigo!!! Este seu vinho é um verdadeiro exemplo, aquilo a que poderemos chamar de puro case study e que poderá mesmo, atrevo-me a dizer, fazer escola em Portugal!
Publicamente assumo o risco! A título pessoal e sem qualquer medo ou receio, ouso afirmar…!!! Este vinho nasceu para ser diferente!
Passando agora à descrição das suas características organolépticas, poderei começar por falar do seu carácter frutado.
Se é certo que as frutas negras e maduras, como amoras e ameixas pretas, estão indubitavelmente bem presentes neste vinho, a verdade é que são as suas notas especiadas e até algumas sensações de chocolate e cacau, aquelas que maioritariamente ressaltam do seu nariz.
A boca impressiona, desde logo, pela sua perfeita estrutura, pelo seu notável volume e por uma frescura e uma acidez de tal maneira pujantes que só poderiam mesmo terminar num final verdadeiramente apoteótico!
Pressentindo-se uma adequada proporção e integração entre os seus vários componentes, nomeadamente, entre a fruta e a barrica, somos, de imediato, tentados a afirmar que harmonia e equilibro serão certamente os adjectivos que melhor caracterizarão este vinho.
Único e inimitável, este tinto alentejano será, sem margem para qualquer dúvida, um vinho carregado de carisma e de filosofia de autor.
Com nobreza e sobriedade, com uma garra e uma personalidade que a todos deveria encher de orgulho, este Quinta do Mouro 2004 é seguramente um grande vinho português.
Em suma, um tinto alentejano de classe mundial!

Nota pessoal: 18,5

domingo, 25 de abril de 2010

QUINTA DOS ABIBES BRANCO SUBLIME 2007


Região: Bairrada
Produtor: Quinta dos Abibes - Vitivinicultura, Lda
Enólogo: Osvaldo Amado
Castas: Sauvignon Blanc e Bical
Teor Álcool: 13.3%

De regresso à escrita, após um afastamento de cerca de três meses motivado por contratempos de foro pessoal felizmente já controlados, tenho o prazer de partilhar convosco um vinho proveniente de uma região vitivinícola com elevado potencial e cuja denominação de origem nasceu há cerca de 30 anos – a Bairrada.
A Quinta dos Abibes situa-se no sopé da Serra do Buçaco, concelho de Anadia, tendo sido adquirida em 2003 pelo Prof. Francisco Batel Marques, pessoa que conheci de forma muito fugaz, mas suficientemente marcante para lhe reconhecer um elevado carisma e uma enternecedora doçura.
Certamente movido por uma enorme paixão e uma forte vontade de inovar, submeteu os 10 hectares que compõem aquela propriedade, há longo tempo votada ao abandono, a um rigoroso plano de engenharia agrícola, com a consequente e cuidada planificação da escolha das castas e plantio das vinhas, tendo em vista a produção de vinhos únicos e de irrefutável qualidade.
O pelouro da enologia foi acertadamente atribuído a Osvaldo Amado, afável e sabedor enólogo, responsável pela produção de vários vinhos neste país, já que para além desta Quinta e de outro pequeno projecto na Bairrada, ocupa também o cargo de enólogo director da Enoport.
Detentor de uma cor citrina, cristalina e intensa, este branco bairradino foi elaborado a partir das castas Bical (30%) e Sauvignon Blanc (70%), tendo sido submetido a um estágio de 6 meses em barricas novas de carvalho françês seguidos de mais 6 meses em garrafa.
Com um nariz onde se acham presentes os habituais frutos cítricos e tropicais, apraz-me sobretudo realçar as vincadas notas de maça verde, aroma que muito aprecio, subtilmente interligadas com os fumados e a baunilha emergentes da madeira onde estagiou.
Na boca mostra-se volumoso, envolvente e com boa estrutura. Mais uma vez, a madeira não se faz aqui sentir com demasiada intensidade, dando espaço a que outros sabores se manifestem de forma alternativa. Com uma frescura e uma acidez que me deixaram totalmente rendida, a sua prova de boca termina de forma longa, quer no comprimento, quer na intensidade.
Provei este vinho pela primeira vez há já alguns meses, num agradável almoço com a presença de simpáticos e sabedores convivas, mas tive também a sorte de ter sido presenteada com mais uma garrafa que cuidadosamente guardei para o voltar a provar mais tarde.
Assim o fiz! Na companhia de outros amigos, até para dar a conhecer o que de muito bom se faz na ainda tão lamentavelmente ostracizada região da Bairrada, pude comprovar a grande valia e genuinidade deste vinho que se revelou também gastronomicamente polivalente.
Infelizmente para todos nós consumidores, a sua produção é muito pequena, cerca de 600 garrafas, mas segundo informações recentes, dada a elevada qualidade das últimas colheitas, o número de unidades irá aumentar, permitindo, assim, que um maior número de eventuais interessados possam ter acesso a este vinho repleto de atributos.
Em suma, trata-se de um vinho de elegantes matizes e que se soube distanciar de certos registos mais tradicionais. Um vinho com garra, de fácil empatia e de pura sedução.
Mais adjectivos para quê? SUBLIME é o seu nome…!
Nota pessoal:  17

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

CASA DE SEZIM - LOUREIRO SAUVIGNON BLANC 2009


A Casa de Sezim situa-se muito próximo da cidade de Guimarães, berço da nacionalidade e Património Mundial da Humanidade.
Está na posse da mesma família desde 1376 e entrou para o acervo familiar por doação que Maria Mendes Serrazinha fez a Afonso Martins - descendente de D. João Freitas companheiro do Rei de Portugal, D. Afonso Henriques - em atenção, segundo se lê em pergaminho existente no arquivo da Casa, "às boas obras que dele recebeu e espera receber e por crença que lhe fez”.
Esta Casa brasonada possuí uma fachada monumental do séc. XVIII e alberga no interior dos seus salões uma colecção de papéis panorâmicos da primeira metade do século XIX. Estando aberta durante todo ano e, dispondo de 8 quartos e 2 suites, afigura-se como o local ideal para uma estadia naquela região. 
Segundo documento datado de 1390, os vinhos verdes da Casa de Sezim eram já bastante apreciados na Idade Média. 
A propriedade possuí ainda 32 hectares de vinha, onde se encontram plantadas, essencialmente, castas recomendadas para região. A sua antiga adega é actualmente um local de visita turística, uma vez que a Quinta dispõe já de uma nova adega onde as uvas são sujeitas às mais recentes tecnologias.
O vinho que agora tenho o ensejo de vos apresentar é da responsabilidade de António Pedro Pinto de Mesquita (produtor) e do seu irmão José Paulo Pinto de Mesquita (enólogo), tendo um P.V.P. de cerca de € 7,00.
Foi elaborado a partir da casta Loureiro, uma das castas mais nobres da Região dos Vinhos Verdes, e da internacionalmente conhecida casta francesa Sauvignon Blanc. Duas castas muito marcantes, capazes de produzir vinhos frescos, secos e bastante aromáticos. 
Este bivarietal da Casa de Sezim revela uma cor de um amarelo cítrico-palha muito claro e translúcido e exibe um nariz muito exuberante. A junção destas duas castas aromaticamente apelativas, revelou-se muito bem conseguida, resultando num nariz verdadeiramente entusiasmante.
Com uma capacidade de comunicação que nos acompanha durante toda a prova, este vinho vai libertando os seus aromas florais e frutados em perfeita sintonia, numa guerra de aromas que no final termina sem vencedor declarado!
Desde frutos cítricos casados com flor de laranjeira, até frutos de cariz mais tropical maridados com generosas folhas de louro, tudo é perceptível neste branco falador.
Elegante e harmonioso, este bivarietal possuí boa estrutura, uma acidez de bom nível e um final de média intensidade.
De recorte clássico, este vinho da Região dos Vinhos Verdes mostrou ser detentor de uma grande personalidade, revelando ser um vinho com um carácter muito próprio e capaz de ombrear taco a taco com os vinhos ditos mais nobres “daquela praça”.
Uma excelente alternativa ao que de bom se  faz na Região dos Vinhos Verdes, acrescentando ainda uma notável aptidão gastronómica.
Nota pessoal: 16,5

domingo, 24 de janeiro de 2010

FESTIVAL CÔTES DU RHÔNE – Fritz Haag & Douro Boys


Imagino que por esta altura do campeonato a publicação deste post já pecará por tardia. Sei que vivemos na era do imediatismo e que tudo se deverá manifestar de uma forma instantânea e sem nada de permeio. Mas a verdade é que tudo aquilo que vivi no passado domingo me deixou um pouco aturdida. Que momentos tão altos aqueles! Parecia uma criança extasiada ao entrar no mundo mágico da Disney World.

Para quem não sabe, refiro-me ao Festival Côtes du Rhône que teve lugar no passado dia 17 de Janeiro, no idílico cenário da Quinta de Nápoles, no Douro.

Para além dos Douro Boys e seus magníficos vinhos, esteve também presente a Fritz Haag, casa fundada no limiar do século XII, na região alemã de Mosel, cujos vinhos se poderão descrever genericamente como frescos, minerais e equilibrados.

E se estes nomes eram já mais do que suficientes para nos proporcionarem uma constelação de bons vinhos, o certo é que as verdadeiras estrelas do evento, os astros cintilantes cuja luz irradiava por toda a adega da Niepoort, esses foram, sem dúvida nenhuma, os 16 produtores presentes da famosa região francesa – Côtes du Rhône.       

Os vinhos à prova eram tantos e tão majestosos, que depressa me abstraí de extensas e rigorosas notas de prova. Tirei algumas, mas curtas e singelas. Havia muito para sentir, muito havia para aprender e apreender. Apetecia-me falar com quem sabia, sorver um pouco dos seus conhecimentos, perceber e sentir o respeito que nutrem pela vinha e pelo vinho.

De facto, estes produtores, pequenos ou grandes em dimensão (o que é que isso interessa!?), são grandes em qualidade, monstruosos em categoria e gigantes em consistência. Não se prendendo a modinhas comerciais, não se deixando seduzir por vaidades efémeras, parecem antes e acima de tudo, respeitar e desenvolver a ancestralidade dos conhecimentos que herdaram ou souberam adquirir.

Reconheço que falar de uns e ignorar os demais é realmente uma grande injustiça. Todos eram bons e dignos de registo.

Desde o impressionante Boisrenard Vielles Vignes dos simpáticos manos do Domaine de Beaurenard, passando pelo mentolado e profundo Chaupin do Domaine de la Janasse, pelo sumptuoso Viognier (Condrieu - claro está!) do Domaine de Yves Cuilleron, com o seu nariz completamente fora do baralho (parafraseando o meu amigo Luís Pedro Maia) e terminando nos químicos e bem estruturados Renaissance e Cornas do Domaine Clape, tudo ali exalava qualidade, nobreza e brilhantismo.

São vinhos singulares, com uma frescura magistral, acidez em dose certa, mineralidade quanto baste e uma madeira sem qualquer excesso, apenas e tão somente o suficiente para lhes conferir complexidade.

Sem medo de serem como são, estes vinhos deixavam transparecer o seu perfil autêntico, assumindo mesmo, em certos casos, um nariz com verdadeiros aromas a couro, cheiros ditos mais animais e uma prova de boca um pouco mais difícil. E porque não? Pergunto eu! Porque razão haverão os vinhos ser todos iguais? Porque razão se deverão reger todos pela mesma bitola? Se há características nos vinhos que muito prezo, a honestidade e a genuinidade são seguramente duas delas.

Contudo, não resisto à tentação de falar um pouco mais sobre um dos produtores presentes no evento - DOMAINE DE LA CITADELLE. Não porque os seus vinhos sejam superiores aos restantes, mas antes pelo facto de serem provenientes de uma Appellation que desconhecia – LUBERON -  e pela excelente relação qualidade/preço que possuem, tendo em conta que se tratam de vinhos franceses.

Este projecto vitivinícola possui 39 hectares de vinha ao norte da sub-região, 29 dos quais classificados como AOC LUBERON. Comercializa três marcas abrangidas pela denominação de origem, a saber: Gouverneur St. Auban, Les Artémes e Le Châtaignier e, para além destes, comercializa ainda três varietais, um Viognier, um Chardonnay e um Cabernet Sauvignon, classificados como Vins de Pays de Vaucluse.

Os três vinhos à prova surpreenderam-me essencialmente pelas suas elevadas mineralidade e profundidade. O BRANCO de 2008, elaborado a partir das castas Viognier, Marsanne, Roussane e Vermontino, estagiou durante nove meses em barricas novas e outras usadas e possuía um nariz verdadeiramente estonteante. Com suaves aromas cítricos entremeados por frutas como pêssegos e mangas, este vinho denotava uma madeira complexante que em momento algum se sobrepôs aos demais componentes e exibia ainda um final extremamente persistente e com contornos de suprema categoria. O seu P.V.P. em França, segundo Alexis Riusset-Rouard, filho do produtor, rondará os 21,22 Euros. Bem merecidos diga-se de passagem!

Quanto à gama de tintos, provei em 1º lugar o ARTÉMES 2005, elaborado maioritariamente a partir das castas Grenache e Syrah, provenientes de vinhas com mais de vinte anos e em que apenas 20% do lote estagiou em barricas com 4 e 5 anos de idade. Este vinho, ideal para acompanhar uma refeição de nobres assados, revelou um nariz onde eram notórios aromas a frutos negros maduros e especiarias diversas. Com uma boca muito bem estruturada, fresca e harmoniosa, onde a elegância e a robustez se degladiam em perfeita equidade, este néctar apaixonante permite-nos desembocar num final muito longo e portentoso. 

O seu P.V.P. rondará os € 12,00 em França. Que maravilha! Que achado tão gratificante…

Por último, pude degustar o Gouverneur St. Auban 2005, elaborado a partir das castas Syrah, Grenache e Mouvédre. Este vinho foi submetido a um estágio de 12 meses em barricas essencialmente usadas, sendo apenas utilizadas cerca de 15% de barricas novas. Com um nariz simultaneamente comunicativo e raçudo, onde se denotam aromas a fruta de muito boa qualidade, acompanhada por aromas balsâmicos e apontamentos de café e cacau, a sua boca transporta-nos para sensações de total equilíbrio, com uma estrutura e uma acidez notáveis e uma enorme elegância alicerçada em taninos finos e delicados.

Um tinto muito gentil, com postura e com carácter e que nos faz facilmente adivinhar a qualidade suprema do seu terroir. O seu P.V.P. em França andará pelos € 19,00, o que, espero, poderá ser um bom exemplo para muito produtor em Portugal!

Contudo, a excelência do evento não se ficou a dever apenas à qualidade dos vinhos em prova, mas também a uma organização extremamente eficaz que só poderia ser comandada por um amante e conhecedor de vinhos como julgo ser o Dirk Niepoort. Só o conheço de revistas e do chamado ouvir dizer. Mas por muito que possa ouvir…por muito que me digam que herdou todo um arsenal de vinhos, vinhas e now-how paterno…a minha convicção é só uma…Ele só poderá ser uma grande apaixonado por vinhos! Sim…! só uma grande paixão pelo vinho poderá determinar tudo aquilo que ele tem vindo a fazer.

Por último, the last but not de least, deixo aqui uma palavra de apreço para o chef Rui Paula (Restaurante DOC – Folgosa do Douro) e sua fantástica equipa. Um serviço de cozinha de grande nível, com as deliciosas iguarias a chegaram à mesa ao ritmo certo e sempre quentes, não obstante o almoço ter decorrido dentro da enorme adega que se encontrava, naturalmente, a temperaturas poucos elevadas.

Ao olhar para tudo o que me rodeava, para a beleza da paisagem exterior, para a eficiência do serviço e para a nobreza dos vinhos que por ali proliferavam, só me poderia mesmo sentir verdadeiramente sentada a uma mesa Czarina. Que me desculpem o abuso mas é caso para dizer...play it again Dirk...play it again!                             

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

QUINTA DO PORTAL - TERCEIRO E ÚLTIMO ACTO


Começo esta minha exposição pedindo que me perdoem por mais uma vez publicar um post sobre a Quinta do Portal. Reconheço que esta é já a terceira publicação consecutiva sobre esta Quinta Duriense, mas devo confessar que as histórias e/ou as estórias (discussão tão em voga nos nossos dias) contadas em três partes, sempre me seduziram.
Desde as clássicas tragédias gregas que Aristóteles entendeu dividir em três actos, Prólogo, Episódio e Êxodo, passando pelas grandes trilogias cinematográficas como são o Azul, Branco e Vermelho do Kieslowski ou mais recentemente o Senhor dos Anéis do Peter Jackson e terminando ainda nos fabulosos Hat-trick dos jogadores de futebol, de facto tudo me atraí neste fantástico número que é o três…!
Explicado que julgo estar este meu fétiche por trilogias, passo então a transcrever para aqui aquela que é tão somente a minha opinião sobre alguns dos vinhos desta produtora que tenho vindo a provar.
Porque a visita que fiz à Quinta remonta já ao passado mês de Novembro, entendi adquirir e voltar a provar os vinhos de que agora vos falo, não fosse uma eventual perda de memória ou a inerente mutação dos mesmos, trair as impressões pessoais com que então fiquei.

QUINTA DO PORTAL RELATO BRANCO 2008


De cor amarela cítrica, este vinho de perfil jovem e fresco, resulta de um blend de três castas muito utilizadas no Douro, como são o Gouveio (50%), a Malvasia Fina (45%) e o Viosinho (5%).
Com um nariz de boa intensidade aromática, destacam-se neste vinho os seus suaves aromas a laranja e limão, muito bem envolvidos por boas sensações florais e ainda por ligeiras notas vegetais.
Na boca mostra-se muito fresco e seco, com corpo médio e uma acidez que o sustenta de uma forma muito bem conseguida.
Revelando ainda um certo travo mineral, este branco apresenta uma prova de boca bastante elegante e demonstrou ser um parceiro ideal para acompanhar pratos de peixes magros e mariscos diversos.

Nota pessoal: 16

QUINTA DO PORTAL LATE HARVEST 2007


Ao contrário do que tem vindo a ser habitual neste género de vinhos, este late harvest da Quinta do Portal é um vinho de lote, resultante da junção de diferentes castas com especial preponderância da Rabigato e da Moscatel.
Tendo fermentado e estagiado em barricas usadas de carvalho francês, este vinho possuí um enorme impacto olfactivo, exalando poderosos aromas a compotas, mel e frutos secos.
Sendo ainda evidentes aromas a frutas em calda, tais como pêssegos e nectarinas, este colheita tardia revela grande harmonia e profundidade, com todas as suas componentes muito bem interligadas.
Doce e untuoso, com uma acidez que eu me arriscaria a apelidar de electrizante, este vinho, complexo e bem estruturado, termina de forma macia e persistente.
Uma belo colheita tardia, que nasceu da vontade e da necessidade de satisfazer os consumidores, mas também e indubitavelmente, das mãos e da mestria de quem o soube fazer.
Estabelecendo uma maridagem perfeita com o clássico foie-gras e com doces ditos conventuais, não deixem, contudo, de o saborear a solo e sentir aquilo a que eu chamo o verdadeiro vibrar das emoções.

Nota pessoal: 17

QUINTA DO PORTAL TOURIGA FRANCA 2001

Este vinho da Quinta do Portal é elaborado unicamente a partir de uma das castas mais plantadas no Douro - a Touriga Franca ou Touriga Francesa.
Fazendo parte do grupo das cinco grandes castas recomendadas para os vinhos do Porto, nos últimos anos temos assistido à sua abundante plantação também na Bairrada, Estremadura, Ribatejo e Terras do Sado.
Adaptando-se bem a todos os tipos de solos, esta casta precisa, contudo, de muito calor para atingir bons graus alcoólicos. A Touriga Franca é de fácil tratamento na vinha, com boa maturação e muito regular na produção.
Sendo acusada de fraca longevidade, razão que provavelmente justificará a sua habitual utilização em vinhos de lote, esta casta foi aqui assumidamente usada a solo, numa ousadia e numa audácia que viria a ser premiada por este vinho que, decorridos mais de oito anos sobre a sua colheita, se mostra ainda num sublime estado de preservação.
De cor vermelha-granada intensa, este tinto varietal apresenta um aroma muito sedutor, com fruta madura evidente e explícita, mas também um certo cacau e uma ligeira e deliciosa canela a fechar o seu conjunto aromático.
Perfeito na sua prova de boca, revelando ainda uma notável frescura, este vinho possuí uns taninos já bastantes maduros e macios e uma elegância que nos persegue durante toda a prova. Tendo sido submetido a um estágio de 12 meses em cascos de carvalho francês com um ano, revela uma boa proporção fruta/madeira, com esta última a mostrar-se muitíssimo bem integrada com os demais componentes.
Um vinho de charme e de glamour, feito de perspicácia e de teimosia, onde a rudeza e a rusticidade deram seguramente lugar a uma deleitosa serenidade.  

Nota Pessoal: 16,5                                                                                  

QUINTA DO PORTAL GRANDE RESERVA 2000

Feito de um nobre lote composto por Touriga Nacional, Touriga Franca e Tinta Roriz, a já respeitável idade deste vinho impôs-me logo à partida uma certa compostura e parcimónia.
Tendo-o escolhido para receber uns amigos e convivas enófilos, num jantar onde me aventurei no serviço de pratos de caça, decidi seguir os sábios conselhos do enólogo da casa e tratá-lo com todos os pergaminhos a que a cartilha nos obriga.
Com todos estes cuidados o resultado só poderia ser surpreendente e retemperador.
Diga-se de boa verdade que tal não se ficou a dever tanto aos pratos servidos, mas sobretudo ao requintado vinho que os acompanhou.
De uma cor que já deixa transparecer a sua idade, este vinho exibe um nariz estonteante tal a panóplia de aromas que concentra. Sem quaisquer vaidades ou maneirismos, este tinto revela aromas a frutas negras e vermelhas de muito boa qualidade, ombreadas por francos laivos balsâmicos e ligeiras notas mentoladas.
Com taninos educados mas ainda muito vivos, este tinto de terras durienses revela uma prova de boca muito consentânea com o seu nariz, esgrimindo grande estrutura e complexidade.
Contemplando-nos ainda com toques de chocolate, especiarias e baunilha, o seu final é longo e duradoiro.
Um vinho sem excessos ou protagonismos exacerbados, que nos oferece uma expressão sincera do seu terroir e nos presenteia com a sua superlativa autenticidade.

Nota pessoal: 17,5                                                                   

domingo, 10 de janeiro de 2010

QUINTA DO PORTAL – UM PROJECTO ENOTURISTICO DE ELEIÇÃO


Localizada em Celeirós do Douro, muito perto de Sabrosa, esta Quinta possui actualmente duas unidades de enoturismo, estando já prevista a recuperação de outras pequenas casas espalhadas pelos vinhedos.
A sua principal unidade turística designa-se sugestivamente por Casa das Pipas. Sendo composta por dez quartos expostos a sul, decorados com mobílias de madeira antiga e aos quais foram atribuídos os nomes das castas mais plantadas na Quinta, a Casa das Pipas oferece também um pequeno ginásio, uma biblioteca vínica e um enorme balseiro que irá ser transformado num bar.


Esta simpática casa de turismo rural presenteia ainda os seus visitantes com uma sala de estar muito cosy, com paredes em pedra e uma apetecível lareira e com uma sala de convívio repleta de aconchegantes apontamentos.

Como se não bastasse, todo este espaço de conforto e de prazer está devidamente enquadrado por uma magnífica parede envidraçada que nos permite ter as vinhas e as suas cambiantes cores como horizonte.

A outra unidade que já se encontra em total funcionamento designa-se por Casa do Lagar e mostra-se mais vocacionada para grupos ou famílias numerosas.

Mais pequena mas igualmente acolhedora, esta casa é composta por quatro quartos decorados de uma forma que nos convence e nos convida a ficar.
Segundo Manuel Ferreira, o responsável pelo departamento de enoturismo da Quinta, esta unidade irá em breve possuir ainda um museu dedicado à produção de azeite, produto cuja comercialização também já foi iniciada.

Implementada no cenário imponente do Douro, muito próximo do sumptuoso vale do Rio Pinhão, a Quinta do Portal possuí ainda um agradável restaurante capitaneado pelo chef Milton Ferreira, onde poderão ser saboreadas nobres confecções culinárias, elaboradas a partir e a pensar nos seus principescos néctares locais.

A sua qualidade enoturística é de tal forma digna de registo que já lhe valeu a atribuição, por repetidas três vezes, do prémio nacional de Best Of Wine Tourism!

Tendo sido já aclamada pela revista Forbes como um dos dez melhores destinos de enoturismo do mundo, a Quinta do Portal foi ainda eleita como Winery of The Year 2009 pela prestigiada revista Wine & Spirits.

Esta premiada Quinta representa aquilo a que verdadeiramente se poderá chamar de casa portuguesa, familiar e independente que abraçou com toda a paixão o conceito de Boutique Winery, dedicando-se à produção de vinhos DOC Douro, Vinhos do Porto de categorias especiais e Moscatel.
Nos últimos anos esta empresa familiar investiu cerca de oito milhões de euros na reestruturação das vinhas, na ampliação da adega e na construção de um armazém de envelhecimento de vinhos projectado pelo arquitecto Álvaro Siza Vieira.

Com cerca de 2.500 metros quadrados, esta arrojada superfície veio não só conferir-lhe um maior controlo da humidade e da temperatura como também melhorar significativamente o envelhecimento dos seus vinhos.

Mais do que um armazém de envelhecimento de vinhos esta construção “Sizariana” é seguramente um complemento ao já vasto pólo turístico da Quinta do Portal.

Sendo já uma das empresas de referência da Região Demarcada do Douro e tendo apostado na introdução das mais modernas tecnologias nos processos de vinificação, esta Quinta produtora de vinhos conseguiu alcançar um lugar cimeiro no universo vitivinícola português e ser apreciada quer pelos enófilos mais conhecedores quer pelos mais incautos consumidores.

Hoje as vinhas da Quinta do Portal estendem-se ao longo de 95 hectares, reunindo também as vinhas da Quinta da Abelheira, Quinta do Confradeiro e Quinta dos Muros, num território de extremos como é o Douro e onde o custo de implantação das vinhas chega a ser quatro vezes superior ao do Alentejo.

Para atingir os seus objectivos, enquanto empresa produtora de vinhos, a QUINTA DO PORTAL definiu quatro etapas:

·         Utilizar as principais castas da região, aliadas ao uso das melhores madeiras novas, por forma a conseguir vinhos tintos de qualidade ímpar.
·         Produzir vinhos brancos de qualidade internacional, com base nas castas Malvasia Fina, Moscatel, Viosinho e Gouveio.
·         Recorrer à casta Moscatel Galego das suas vinhas a também à proveniente do planalto a sul de Favaios para produzir vinhos Moscatel de classe mundial e,
  • Para além de continuar a tradição de produzir ilustres Tawnys Velhos, desenvolver também outros estilos de Vinho do Porto, já com considerável reconhecimento internacional.
É na qualidade de apaixonada por vinhos e por tudo aquilo que ao enoturismo diz respeito que vos posso assegurar que uma estadia na Quinta do Portal será certamente uma experiência inesquecível nas vossas vidas, atenta não só a qualidade e consistência do portfólio de vinhos que apresentam, mas também e sobretudo, o cuidado e o carinho com que nos sabem receber.

QUINTA DO PORTAL…simplesmente…UM DESTINO!

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

QUINTA DO PORTAL GRANDE RESERVA 2006


Região: Douro
Produtor: Quinta do Portal
Enólogo: Paulo Coutinho
Castas: Touriga Nacional (50%), Tinta Roriz (35%) e Touriga Franca (15%)
Vol. Àlcool: 14,5%
 P.V.P.: +/- € 22,50        

Este Quinta do Portal Grande Reserva 2006 foi seguramente um dos melhores vinhos que provei durante o ano que agora termina. 

Tendo sido um ano muito importante para mim, porquanto, não só determinou a minha iniciação no mundo da blogosfera, como também me proporcionou o conhecimento de pessoas maravilhosas que muito tem enriquecido a minha vida, é com especial prazer que o encerro com a publicação de uma nota de prova sobre um vinho da Quinta do Portal. 

Entre outros prémios, este Grande Reserva 2006 conquistou também o troféu de melhor vinho do Douro e uma honrosa medalha de ouro no Internacional Wine Challenge 2008.
  
O responsável pela enologia desta grande Quinta Duriense é o enólogo Paulo Coutinho. Responsável pela enologia e muito mais certamente (acrescento eu!), tal a dedicação e entusiasmo que ele empresta a esta causa.
Para o Paulo Coutinho ser enólogo não é apenas uma profissão…é quase um sacerdócio, uma verdadeira devoção, uma espécie de chamamento com que Deus provavelmente o vaticinou!  

A sua forma de estar no mundo dos vinhos é de facto tão inteira, intensa e apaixonada que não só nos atrai e nos envolve como chega mesmo a ser tocante. 

Tendo sido submetido a um estágio de 14 meses em barricas novas de carvalho francês, este tinto mostra-se bastante concentrado na cor e revela um nariz com uma notável complexidade aromática. 

Não obstante serem profusamente evidentes os seus requintados aromas frutados, com notórias impressões de ameixas pretas e frutos silvestres, foram essencialmente as suas notas balsâmicas e especiadas que me prenderam de imediato. 

Com as suas bem dotadas sensações apimentadas e seus soberbos laivos licorosos e mentolados, o seu nariz estimula-nos energicamente os vários sentidos, deixando-nos, logo à partida, rendidos àquilo que promete ser uma verdadeiro estado de graça! 

Passando cerimoniosamente à sua prova de boca, fui sumptuosamente agraciada com uma voluptuosidade e uma vivacidade que em tudo vieram engrandecer a parcimónia e o respeito que os seus aromas nasais já me haviam conferido. 

Com uma acidez dita “al dente”, uma mineralidade em nada desprezível e uma barrica que se mostra já muito bem integrada, este vinho apresentou-se untuoso, redondo, com taninos já bastantes sedosos e macios e uma profundidade verdadeiramente irrefutável.

Tudo isto num compasso muito certo e afinado, a remeter-nos para um conjunto final harmonioso e sofisticado, como que a fazer crer que as fervorosas preces dos mais puros e fiéis seguidores do vinho tinham sido definitivamente atendidas… 

Um tinto feito de mérito e de sapiência, um tinto de completo deleite, de regozijo e de regalo…como só um grande vinho sabe e pode ser! 
Sem dúvida nenhuma…Um dos melhores tintos que Portugal e o Douro conseguiram fazer em 2006.
Nota pessoal: 18                                                                          Olga Cardoso

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

ROZÈS – LATE HARVEST 2008


Região: Douro
Produtor: Rozès
Enólogo: Luciano Madureira
Castas: Malvasia Fina
Vol. Alcool: 14,5%
P.V.P.: € 29,00 (Galeria de Vinhos)


A empresa que nos fez chegar este vinho é detentora de um enorme potencial qualitativo e integra o grupo francês Vranken Pommery, segundo maior produtor mundial de champagne.
Após o sucesso alcançado há já várias décadas no sector dos vinhos do Porto, e do lançamento em 2006 dos vinhos Rozès Rosé, Quinta do Grifo, Terras do Grifo e Quinta do Pégo, esta empresa, que sempre preservou e proclamou a utilização das castas mais historicamente utilizadas na região, quis apostar noutros voos, voos de cuja altitude nos surge este Noble Late Harvest 2008.
Este colheita tardia que agora vos apresento foi elaborado exclusivamente a partir da casta Malvasia Fina, uva pertencente à numerosa família das Malvasias, cuja identidade e origens concretas permanecem ainda mergulhadas numa certa indefinição.
Não obstante as permanentes dúvidas e constantes reclamações de paternidade por parte de diferentes países mediterrânicos, estudos ampelográficos assaz credíveis atribuem à ilha grega de Creta a detenção do seu berço natal.
No que ao vinho e respectivas características organolépticas diz respeito, cumpre-me realçar a sua aprazível diferença e a ousada inovação.
Pese embora seja notória a presença de aromas a uvas em passa e aos típicos frutos secos, tão íntimos da quadra que atravessamos, são ainda bem evidentes aromas de índole mais cítrica e até a um delicioso e refrescante ananás.
Com uma boca que nos enche mas não nos enjoa, este colheita tardia prima pela mudança, registando menores notas meladas e caramelizadas do que é habitual neste género de vinhos, afastando-se um pouco do sobejamente conhecido registo dos néctares de Sauternes.
Em suma, este vinho, para além de revelar um grande impacto olfactivo, possui ainda uma prova de boca onde o grau de doçura nos aparece perfeitamente tonificado pela frescura da sua belíssima acidez.
Um vinho muito curioso e estimulante, que espelha a maturidade de um produtor e a coragem de assumir a diferença patenteada na utilização de castas ditas out of system para o género em causa.
Um vinho pleno de graça e que combina na perfeição os trunfos da razão e do coração...!                                   

Nota pessoal: 17 

Vinho seleccionado pela Galeria de Vinhos para integrar o seu Clube de Vinhos do mês de Dezembro de 2009 (http://www.galeriadevinhos.com/)

BODEGAS CARRAU – PINOT NOIR RESERVA 2005


Região: Cerro Chapeu
Produtor: Bodegas Carrau
Enólogo: Francisco Carrau e Octavio Gioanació.
Castas: Pinot Noir
Teor Àlcool: 13,5%
P.V.P.: € 12,00 (Galeria de Vinhos)

Tendo sido fundada em 1752 por Don Francisco Carrau Vehils, na Catalunha (Espanha), a Bodegas Carrau já produz vinhos no Uruguai desde 1930. Sediada a poucos minutos da capital Montevideu, esta empresa vitivinícola é actualmente administrada pelos enólogos Francisco Carrau (nona geração da família) e Octavio Gioanació.
Sendo a Pinot Noir uma das castas mais complexas e delicadas de que há registo, talvez mesmo a mais caprichosa e melindrosa quer na vinha, quer na adega, atenta a sua maturação demasiado precoce e a sua película demasiado fina, é notável a forma como este produtor a conseguiu trabalhar e domesticar.
Trata-se de facto de uma casta surpreendente e enternecedora, mas que costuma obrigar a trabalhos redobrados, costuma exigir viver num clima perfeito e ser sujeita uma dose quase milimétrica de contacto com a barrica, apenas o suficiente para lhe conferir complexidade.
Efectivamente, até há bem pouco tempo atrás, quem desafiou a Pinot Noir e resolveu cultivá-la fora da Borgonha, colheu infortúnios. Felizmente, não foi esse o caso deste produtor.
Este Pinot Noir do Novo Mundo foi-me apresentado quatro anos após a sua colheita. Sendo um Pinot bastante diferente dos seus congéneres da Borgonha, revelou possuir um nariz onde estão bem presentes os aromas varietais típicos desta espécie de uva como são as framboesas, os morangos e as cerejas.
Com uma cor mais extraída do que é normal nos Pinot franceses, este vinho revelou possuir um nariz muito refinado e afinado, com notas de ervas que me lembraram chá preto e orégãos e outras de natureza mais terrosa como são os cogumelos e as trufas pretas.
Com um prova de boca que em nada desilude, onde notas balsâmicas e uns laivos de pimenta verde se fazem também sentir, mostrou ser detentor de uma acidez muito bem conseguida, com taninos finos e elegantes e com uma doçura superior ao habitual mas que lhe confere um certo charme e personalidade.
Com um final de boca que nos acompanha e nos seduz, este Pinot Noir mostra-se apetecível, prazeroso e bem formado.
Com uma excelente relação qualidade/preço, julgo estarmos perante um Pinot Noir que em nada envergonhará os mais sensíveis Petits Vignerons da famosa Côte d’Or Borgonhesa, sendo mesmo uma boa alternativa para quem se pretende iniciar nas ternas delícias desta casta apaixonante.
Nota pessoal: 16,5

Vinho seleccionado pela Galeria de Vinhos para integrar o seu Clube de Vinhos do mês de Dezembro de 2009 (www.galeriadevinhos.com)

http://www.galeriadevinhos.com/pt_pt/maxcontent/documento/59/clube-de-vinhos/