sábado, 13 de outubro de 2012

PROVA VERTICAL – QUINTA VALE D. MARIA

No passado dia 14 de Setembro, no magnífico Hotel AcquaPura Douro Valley, teve lugar uma prova vertical de alguns dos vinhos da Quinta do Vale D. Maria. 
À prova estiveram o Porto Vintage, colheitas 1999 a 2009 e os tintos Quinta do Vale D. Maria, colheitas 1996 a 2010 e o CV (Curriculum Vitae), colheitas 2003 a 2010.

A Quinta Vale D. Maria fica no coração do vale do Torto, um dos afluentes do Douro, tem cerca de 40 hectares e pertence há mais de 200 anos à família da mulher de Cristiano Van Zeller, um dos mais reconhecidos viticultores durienses.

Sandra Tavares da Silva é a responsável pela equipa de enologia, contando com a vasta experiência de Cristiano na elaboração do blend final.

Os vinhos falam por si, expressando não só a sapiência de quem os elabora, como também as qualidades excepcionais do terroir que lhes serve de berço.

A prova iniciou-se pelo Quinta do V. Dona Maria. Ano após ano, este tinto tem vindo a afirmar-se, consistentemente, como o grande porta-estandarte da casa. De forma notável, este tinto exibe sobriedade, austeridade e elegância, características muito difíceis de conciliar.

Impressionante a sua colheita de 1996. Já um pouco evoluído na cor, como seria de esperar, este vinho mostrou uma frescura e uma acidez absolutamente eximias. Com taninos perfeitos e uma graduação de apenas 12%, conseguiu provar, de forma irrefutável, não serem necessárias grandes graduações para se conferir longevidade a um vinho.

Referências especiais são ainda devidas ao 2004 que, apresentando-se algo duro à entrada, revelou-se um vinho sublime e cheio de pujança, ao 2006 que sendo proveniente de um ano muito difícil no Douro, se mostrou cheio de personalidade e afinação e ao 2007, repleto de elegância e delicadeza.

De seguida passou-se à prova de todas as colheitas engarrafadas do CV, iniciais que significam Curriculum Vitae, mas que curiosamente são também as iniciais de Cristian Van Zeller.

Assumindo-se como os topo de gama da casa, os CV nasceram abençoados. São vinhos magníficos no porte e na textura. Profundos e complexos, estes tintos cativam pela sua enorme expressividade, genuinidade e finura.

Especial referência ao 2005, musculado, desenvolto e com uma acidez refrescante, o 2008, frutado, equilibrado e harmonioso e o 2009, cheio de vivacidade, frescura e uma vida promissora pela frente.

A prova terminou com os seus fantásticos e prodigiosos Porto Vintage. O Vinho do Porto corre nas veias de Cristiano Van Zeller. Faz parte integrante do seu código genético e corresponderá quiçá à parte mais significativa do seu imaginário infantil.                            

Desta relação umbilical só poderiam nascer Vintages com elevada concentração, exuberância e intensidade.

Destaque especial para o impressionante 2003. Muito especiado, este Vintage mostrou-se bastante fresco e sedutor. 

O 2008 mostrou uma estrutura e uma acidez absolutamente magistrais e o 2009 revelou-se muito comunicativo, com a fruta em bom plano e um final interminável. Vintages eloquentes, fulgurosos, com nervo e fio condutor.

Foi efectivamente uma prova memorável, mas que mais não veio demonstrar senão o facto dos vinhos da Quinta do Vale D. Maria pertencerem não somente ao santuário dos vinhos portugueses, como também ao grupo restrito dos vinhos com classe mundial.

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

BRANCOS DO DÃO … by… ANTÓNIO NARCISO


No 1º dia de Setembro, no Porto, provaram-se vinhos de qualidade excepcional. Um encontro de amantes do vinho, empenhados em provar do que melhor se faz no Dão. Porque sou uma brancófila assumida, não podia deixar de iniciar a narrativa dos acontecimentos pelos brancos entusiasmantes que desfilaram em prova!

Como é do conhecimento geral, os brancos desta região são elaborados, por regra, a partir da casta Encruzado. Uns em apreciáveis blends, mas grande parte deles em notáveis exclusivos. Falamos de vinhos muito aromáticos e de sabor bastante acentuado. Apresentam uma estrutura e uma longevidade fora do comum, podendo conservar-se em garrafa durante variadíssimos anos.
QUINTA DA FATA ENCRUZADO 2011
Nariz um pouco fechado à entrada, mas com fruta branca de pomar em domínio. Na boca mostra-se guloso, untuoso, muito fresco e mineral. Tem carácter para envelhecer com qualidade e destreza.
BARÃO DE NELAS ENCRUZADO 2011
Mostrou-se aromaticamente mais comunicativo que o anterior. Nariz marcado por aromas cítricos e uma certa dose de tropicalidade. Jovialidade, frescura e uma acidez acutilante marcam o seu perfil.
QUINTA MENDES PEREIRA ENCRUZADO 2010
Recuamos agora um ano no tempo…! Mais carregado na cor, este encruzado passou por um ano de batonnage e revelou possuir mais corpo e maior volume. Untuoso e complexo, mostrou-se bastante gastronómico, exalando aromas a chá e frutos secos. 
QUINTA DAS MARIAS ENCRUZADO 2010
Aromas primários e uma acentuada mineralidade marcam o seu nariz. Na boca mostra-se leve, fresco e com uma acidez muito correcta. Elegância, equilíbrio, nobreza e intensidade…são adjectivos que o definem na perfeição.
QUINTA DA MARIAS ENCRUZADO 2010 – FERMENTADO EM BARRICAS
Fruta limpa em bom plano. Suaves fumados e tostados bem integrados. Corpo e estrutura bem definidos. Qualidade não lhe falta e o tempo em garrafa só poderá ser um factor diferenciador. Vaticinado para um envelhecimento pleno de classe!
And the last but not the least…! Um caso sério no panorama vitivinícola do Dão! 
CASA ARANDA…a grande SENHORA da prova!
CASA ARANDA ENCRUZADO 2010
Um encruzado austero, sério, um pouco sisudo…mas muito fresco. Com predomínio de aromas terciários, mostrou-se muito mineral e com uma acidez marcante. Com um corpo e um volume absolutamente notáveis, este varietal da casta encruzado revelou uma polivalência gastronómica e uma capacidade de envelhecimento dignas de registo.
CASA ARANDA COLHEITA 2010
De cor amarelo limão, este colheita apresentou um nariz limpo, com aromas a fruta cítrica e ligeira tropicalidade. Fresco e com boa acidez, este branco de boca leve, mostrou-se também bastante mineral e até algo granítico. Perfeito para dias quentes e … apetecíveis!
 CASA ARANDA DOC 2006
Elaborado a partir de um conjunto de castas oriundas de vinhas velhas, este vinho foi parcialmente fermentado em barricas. Bastante floral, remeteu-nos para campos de tílias e flores de laranjeira. Chás de diferentes proveniências tocaram-nos o nariz. O tempo decorrido…fez-nos viajar para suaves sensações de refinada tosta. Um ligeiro e delicioso querosene…pôs-nos a sonhar! Na boca mostrou untuosidade, mas também grande frescura e vigor. Acidez impressionante e final interminável, definiram categoricamente o seu perfil. Pura expressão da GRANDIOSIDADE dos BRANCOS do DÃO! 

quarta-feira, 28 de março de 2012

DESMISTIFICAR O VINHO! Uma prova que promete ser diferente!

Um privilégio para quem puder estar presente!
Uma série de provas verticais que prometem "destruir" alguns mitos criados à volta dos vinhos!
Dia 11 de Abril 2012, pelas 10:30 horas, no Restaurante Claro (Chefe Vitor Claro), Paço de Arcos.



À PROCURA DO 1º MASTER OF WINE PORTUGUÊS...

À procura do primeiro Master of Wine português - Revista de Vinhos

Os profissionais de vinho portugueses têm agora uma magnífica oportunidade de obter o título mais prestigiado no mundo do vinho. Para os auxiliar, a Symington Family Estates, a Revista de Vinhos e o Instituto dos Masters of Wine acabam de anunciar a Bolsa de Estudos Symington.

A qualificação de Master of Wine foi estabelecida em 1953 e existem actualmente 299 Masters of Wine, distribuídos por 23 países diferentes. O curso é de três anos e os exames para atingir o título, rigorosos e desafiantes, são constituídos por três componentes: três provas de exame práticas (provas de vinhos), quatro provas de exame teóricas e uma dissertação de 10.000 palavras.

Existem actualmente Masters of Wine (MW) de muitos países produtores de vinho pelo mundo fora, mas ainda nenhum de Portugal. A Bolsa de Estudos Symington irá patrocinar um candidato no sentido deste se tornar no primeiro MW de Portugal. A Bolsa de Estudos agora anunciada ascende a um montante superior a €14.000 distribuído por um período de três anos, cobrindo custos de candidatura, propinas para o primeiro e segundo ano de estudos e matrículas para o exame e para a dissertação.

Paul Symington, Presidente da Symington Family Estates, referiu: “É nossa esperança que esta ajuda possibilite que um dos muitos talentosos profissionais de vinho que existem em Portugal alcance este tão respeitado e altamente valorizado título. Estamos também muito satisfeitos pelo facto da Revista de Vinhos participar neste projecto, ajudando na divulgação do mesmo e no acompanhamento do candidato durante os seus estudos.”

“Uma publicação líder como a nossa não poderia deixar de participar activamente numa tão meritória iniciativa”, comentou a propósito Luís Lopes, Director da Revista de Vinhos. “Acolhemos de forma entusiástica o convite que nos foi feito pela família Symington e iremos colaborar activamente em todas as fases do projecto.”

O Instituto de Masters of Wine irá organizar um seminário de dois dias em Vila Nova de Gaia, a 11 e 12 de Junho de 2012, para explicar aos potenciais candidatos todos os aspectos do curso e dos respectivos exames. Candidatos à Bolsa de Estudos são vivamente aconselhados a participar neste seminário, relativamente ao qual serão brevemente disponibilizados mais pormenores.

O prazo para a candidatura ao programa de estudo de Master of Wine termina no dia 15 de Agosto de 2012, com resultados anunciados em Outubro de 2012. O curso terá início em Novembro de 2012, com o primeiro ano de seminário residencial (comparência obrigatória) em Janeiro de 2013.

Os candidatos à obtenção da Bolsa de Estudos têm de primeiro reunir os critérios de entrada para o programa de estudo do Instituto, condição prévia para submissão ao Exame do Masters of Wine:

• Um mínimo de cinco anos de experiência profissional em algum aspecto do sector de vinho;
• Deter uma qualificação de vinho reconhecida, como uma licenciatura em enologia ou viticultura, um MBA numa área ligada à indústria do vinho, um Diploma WSET ou ser capaz de demonstrar experiência profissional equivalente;
• Ser capaz de demonstrar conhecimento suficiente e capacidades, tanto teóricas como práticas (prova), para ser aceite no programa de estudo.

A decisão final de aprovação de um candidato para o curso de MW é inteiramente da responsabilidade do Instituto Masters of Wine.

Para se candidatarem à Bolsa de Estudos Symington, os candidatos terão de efectuar previamente a inscrição no programa Master of Wine e ser de nacionalidade Portuguesa. Adicionalmente, os candidatos deverão escrever uma carta a delinear os motivos que os levam a querer abraçar o programa Master of Wine e justificar a razão pela qual se consideram elegíveis à atribuição da Bolsa, a qual terá de ser submetida, o mais tardar, até o dia 14 de Setembro, por escrito a:

Bolsa de Estudos Symington
Travessa Barão de Forrester, 86
4400-034 Vila Nova de Gaia
T: +351 223776300
E: symington@symington.com

Após o anúncio dos resultados pelo Instituto de Masters of Wine, a decisão final de concessão da Bolsa de Estudos Symington será tomada por uma comissão de análise das candidaturas, composta por Paul Symington, Luís Lopes da Revista de Vinhos, Manuel Carvalho do jornal Público e Philip Tuck, Master of Wine.

O financiamento, para além do primeiro ano do programa, será dependente do desempenho conseguido na Avaliação do Primeiro Ano.

O envio do dossier de admissão para o programa MW terá de ser efectuado até ao dia 15 de Agosto de 2012. Todos as candidaturas deverão ser submetidas por escrito a:

The Institute of Masters of Wine
24 Fitzroy Square
London
W1T 6EP
T: +44 (0)207 383 9130
E: info@mastersofwine.org

Para mais informações sobre o Institute of Masters of Wine: www.mastersofwine.org

domingo, 11 de dezembro de 2011

Cottas Reserva Tinto 2008

A Quinta de Cottas é uma pequena propriedade, com uma área de cerca de 10 hectares, situada no Cima Corgo, na Região Demarcada do Douro.
Produz vinhos de grande qualidade, elaborados, quase exclusivamente, a partir de castas tradicionais da região.
Este reserva tinto 2008, muito concentrado na cor, opaco e limpo, revela um nariz com grande elegância aromática, onde se destaca o seu carácter frutado, com os frutos silvestres em total predominância. Ligeiras notas florais e fumados muito bem integrados, mostram-se também de forma bastante evidente.
Na boca entra seguro e intenso, com a sua componente especiada a marcar aqui forte presença.
Com taninos suaves mas ainda muito presentes e uma frescura e uma acidez absolutamente notáveis, não obstante estar pronto a ser consumido, parece querer dizer-nos que o podemos guardar por uns bons tempos em cave.
Gordo e sedoso, potente e carnudo, este reserva tinto cativa pelo seu elevado equilíbrio, harmonia e elegância.
Complexo, amplo e com um final deveras sedutor, apresenta-se, não somente como mais um, mas como um tinto duriense ao qual é impossível ficar indiferente!
Nota pessoal: 17

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

GRANDE RESERVA – Uma Colheita Imperdível



Da pena de um apaixonado pela escrita e pelo mundo dos vinhos, surge-nos agora este Grande Reserva – Uma colheita imperdível.

Trata-se do primeiro livro de João Barbosa, jornalista de profissão, que já passou por publicações como O Jornal, Diário Económico e A Capital e blogger por paixão, sendo autor de 3 três blogs totalmente distintos entre si, entre os quais, o eno-blogue João à mesa  http://joaoamesa.blogspot.com/.

Estamos perante um livro que o autor classifica como sendo um livro de história e de histórias, que resulta de um apanhado de pequenos tesouros do vinho português.

Para mim, e porque conheci o João numa fase em que este livro ia ganhado “mentalmente” a sua forma, arrisco-me a dizer que ele é não só o resultado de um excelente trabalho de pesquisa e de um enorme trabalho de “campo”, como também, o fruto da postura humilde, discreta e apaixonada com que se tem regido.

Escrito de forma despretensiosa, bem-humorada e extremamente envolvente, este livro tem sido uma fonte de verdadeira aprendizagem e de puro deleite para mim.

De leitura obrigatória para qualquer enófilo português que se preze, este Grande Reserva é, efectivamente, "(…) um livro que se quer para fruição, para prazer e para felicidade simples. Um remédio santo contra as chatices da vida"!

Tchim, tchim João…

sábado, 27 de agosto de 2011

LAXAS ALBARIÑO 2010

Devo confessar que essa pretensa magna divisio entre brancos de verão e brancos de inverno sempre me irritou solenemente. São incontáveis as vezes em que este vinho me acompanhou em muitos e deliciosos jantares invernosos, com muito frio mesmo (lá fora claro está!), mas pronto…ok…concedo!

Estaremos, efectivamente, perante um excelente parceiro para os dias mais quentes e os cenários mais veraneantes. A solo ou acompanhado, este branco Galego, não desiludindo os grandes amantes da casta Albariño, faz as delicias de quem procura um vinho fresco, leve e despretensioso.

Não me podendo pronunciar sobre a sua longevidade, já que nunca provei colheitas mais antigas, posso, contudo, assegurar que se trata de um vinho muito regular e consistente, tantos foram os anos e as idas à simpática Galiza…para me deleitar com os seus mariscos e as suas típicas tapas.

Produzido pelas Bodegas - As Laxas, situadas nas margens do rio Minho, na D.O. Rias Baixas, Galiza, este Alvarinho, apresenta uma cor amarela citrina com laivos esverdeados e um aspecto brilhante e cristalino. Aromaticamente elegante e sem grandes devaneios olfactivos (graças a Deus! Já enjoa a quantidade desmesurada de “tropicalidade” que para aí anda…), apresenta um nariz muito limpo, com evidentes laivos de mineralidade e onde notas florais e frutadas, diria que maças e damascos marcam aqui forte presença, se encontram em perfeita harmonia.

Na boca revela bom corpo e bom volume. Mostra-se extremamente equilibrado, com uma acidez muitíssimo bem colocada e um final bastante sedutor. Afinado e bem proporcionado, refrescante e sóbrio, este vinho, podendo não representar um poema à casta Alvarinho, demonstrou sempre uma autenticidade e uma generosidade, perfeitamente capazes de nos deixar com um enorme sorriso nos lábios! Rias Baixas…what else!!!

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

RESTAURANTE DOC – Um Santuário Gastronómico no Douro

Situado naquele que é um dos percursos panorâmicos mais bonitos e arrebatadores do nosso país, a sumptuosa estrada marginal entre a Régua e o Pinhão, o Restaurante DOC localiza-se mais precisamente na Folgosa do Douro, concelho de Armamar.      
                                                                                           
Instalado num amplo edifício de arquitectura moderna, mas perfeitamente enquadrado no cenário envolvente, o DOC está literalmente construído em cima do rio, podendo a ele aceder-se também por via fluvial, atracando-se num cais simpático e funcional com capacidade para cerca de 15 barcos.

 
Este espaço beneficia ainda de uma deslumbrante esplanada, toda ela virada para aldeias, quintas e vinhas que ajudam a engalanar ainda mais o nosso horizonte, e na qual poderemos, sempre que o tempo permitir, deliciarmo-nos com uma tentadora refeição, participar numa animada tertúlia ou simplesmente degustar  um bom vinho.

Assente numa filosofia que se poderá designar de triangular, composta por uma cozinha elaborada, vinhos de qualidade e beleza paisagística, o DOC tem presenteado os seus clientes com uma carta repleta de boas sugestões vínicas que, não ignorando as demais regiões vinícolas portuguesas e até estrangeiras, possui uma natural incidência sobre vinhos provenientes do Douro.



Este esforço em estimular a descoberta do imenso património vínico da região, aliada a uma prática sensata no que ao preço dos vinhos respeita, valeu a este restaurante, poucos meses após a sua abertura, a atribuição pela Revista de Vinhos do prémio para a Melhor Carta de Vinhos Regional.

A ideia de que um bom vinho, quando bem harmonizado, pode engrandecer toda uma refeição, não é apenas uma prática diária do DOC…é sobretudo a sua bússola e o seu lema de vida! 


Mas não só de cozinha e de vinhos vive o DOC. Existe ainda todo um projecto ligado a eventos de outra natureza, o qual se encontra em permanente dinamização e se pauta sempre pelo respeito por toda a beleza de um território que a UNESCO classificou como Património Mundial. Esta constante preocupação tem-lhe permitido afirmar-se como um projecto âncora na dinamização do turismo no Alto Douro Vinhateiro.

As propostas gastronómicas são muitas, com a vantagem de serem apresentadas de formas variadas e até originais.
O Chef Rui Paula tem como preocupação primordial, a utilização de produtos genuínos e de elevada qualidade, que lhe permitam apresentar uma cozinha, essencialmente, de cariz tradicional português, embora elaborada com recurso a técnicas e a concepções mais actuais.


Como o próprio afirma, a sua culinária está intimamente ligada a sensações e a memórias antigas, cuja matriz visa sempre respeitar, não obstante a sua eterna busca por novas nuances que valorizem os aromas, os sabores e as texturas dos produtos.

Sem me querer alongar mais nesta minha já vasta descrição, e porque acredito que a consulta directa da fabulosa ementa que este Restaurante nos proporciona é muito mais aliciante, remeto-vos para o seu site oficial http://www.ruipaula.com/doc/menu, limitando-me somente a afirmar que se trata, indiscutivelmente, de uma espaço de emoções e de prazer, que com toda a naturalidade tem sabido fazer jus à reconhecida magistralidade do nosso DOURO!

segunda-feira, 11 de julho de 2011

DONNAIRES - UM NOVO PROJECTO NO DÃO!

Decorrido tanto tempo sobre a minha fase “mais presente” enquanto wineblogger, muitos já me haviam, certamente, como uma desistente! Se o pensaram…tiveram toda a razão! Estive, de facto, ausente durante muito tempo. Questões pessoais e afazeres profissionais assim o determinaram. 
No entanto, não o poderei negar, que a tudo isso se terá somado uma certa decepção com a dita “indústria do vinho” em Portugal e alguma dose de incredulidade sobre a “mais valia” que os winebloggers possam, eventualmente, acarretar para o desenvolvimento e transparência de todo este sector! 
Quanto à primeira questão…nada a fazer! Mea culpa, mea culpa…quem me mandou construir castelos na areia???
Quanto à segunda, e após longo período de reflexão, as conclusões a que cheguei são manifestamente favoráveis à minha permanência e, indesmentivelmente, deveras apologistas da defesa e do reconhecimento daqueles que, movidos por uma enorme paixão e desprovidos de quaisquer apoios financeiros, teimam em “erguer a bandeira”, promovendo, sem contrapartidas, o produto – VINHO!  
Escolhi para regresso, uns vinhos que estão agora a dar os seus primeiros passos! Trata-se de um projecto muito pequeno, que tive o privilégio de conhecer e acompanhar. Projecto esse que, dada a sua qualidade e a paixão e o cuidado com que é conduzido, me fez, de certa forma, transportar para os apaixonantes "petits vignerons" da famosa Borgonha! 
Os rótulos exibidos são ainda uma mera amostra daquilo que poderá vir a ser a sua imagem oficial, sendo que a maquete do tinto nem sequer é a da colheita provada. Entendi publicá-los para que possam ter uma ideia daquilo que irá, muito provavelmente, ser o seu aspecto final. 
Para aqueles que me seguiam (poucos…diga-se de boa verdade), as minhas sinceras desculpas. Procurarei, doravante, voltar a merecer a vossa valiosa atenção.
Assim sendo, aqui ficam as minhas impressões sobre estes vinhos prestes a sair para o mercado…

DONNAIRES ROSÉ 2010
De um rosado intenso e definido, este vinho, maioritariamente elaborado a partir da casta Touriga Nacional, apresenta um aspecto limpo e cristalino.
O seu nariz revela uma intensidade aromática discreta e elegante, onde predominam os frutos vermelhos, tais como morangos, cerejas e framboesas. Sendo notória uma ligeira mineralidade é, no entanto, a sua componente vegetal que lhe confere uma certa “finesse” e profundidade olfactiva.
Na boca mostra-se bem estruturado, com a fruta e as nuances vegetais em perfeita harmonia. Possui uma frescura correcta e uma acidez muito bem conseguida, as quais, associadas ao seu carácter mais seco, lhe atribuem um elevado potencial gastronómico. O seu final é de média intensidade, sendo, contudo, bastante cativante.
Não obstante a sua alegada mestria à mesa, não deverão ser descuradas a suas aptidões para funcionar como um excelente aperitivo.
Diria que se trata de um rosé de perfil mais sério e viril, que seduz e atrai pelo bom equilíbrio global dos seus componentes.
Nota pessoal: 16,5

DONNAIRES TINTO 2009
Bastante concentrado na cor, de um rubi profundo com abundantes tons violeta, este tinto ainda jovem exibe um “bouquet” dominado por notas de fruta preta e madura de boa qualidade.
Ameixas, amoras e mirtilos harmonizam na perfeição com notas balsâmicas e alguns laivos especiados. A madeira não se faz sentir em demasia, conferindo-lhe, de forma subtil, já uma certa complexidade. Delicadeza e requinte, definem bem o seu carácter aromático.

Na boca entra seguro e envolvente, revelando bom corpo e bom volume. Não obstante a sua juventude, os seus taninos firmes são também suaves e redondos, o que lhe permite exibir a elegância e nobreza tão peculiares aos vinhos da região que o viu nascer – o Dão.
Apesar de elegante, este tinto de bela acidez, possui também um vigor e um entusiasmo que lhe irão, certamente, permitir crescer de forma consentânea e promissora. Termina de forma longa e harmoniosa.
Em suma, estamos, seguramente, na presença de uma tinto simultaneamente frutado e terroso, firme e volumoso, macio e sedoso. Um vinho com muito para nos dar!
Nota pessoal: 16,5

sexta-feira, 30 de julho de 2010

ROYAL TOKAJI ASZÚ 6 PUTTONYOS - NYULÁSZÓ 1996


Nota Prévia:
Senhora, eis o Rei dos Vinhos e o Vinho dos Reis!
Esta foi a frase que Luís XV terá proferido ao oferecer uma garrafa deste precioso néctar à mais famosa das suas amantes, Madame de Pompadour. Como esta frase, aquele rei francês consagrou para sempre a nobreza dos Tokaji, os quais eram também muito apreciados por outras casas reais, nomeadamente, pela Coroa Inglesa e por diversos Czars da Rússia.
Estes vinhos de Tokaj-Hegyalja assumem uma importância capital na cultura Húngara, sendo mesmo dignos de referência no seu hino nacional. Em conjunto com Saint-Émilion (Bordéus-França), Douro e Pico (Portugal), esta região integra o restrito acervo de regiões vitivinícolas classificadas como património mundial pela Unesco.
Beneficiando de um micro clima que favorece o desenvolvimento natural do fungo botrytis cinérea (também conhecido por podridão nobre), esta região é responsável pela produção de uvas verdadeiramente excepcionais, designadamente, as das castas Furmint e Hárslevelü, que possuindo um elevado potencial aromático, proporcionam a formação de um elegante bouquet aos vinhos obtidos.
Os Tokaji Aszú (Aszú significa literalmente uvas ressequidas e botrytizadas) são elaborados a partir de uvas com uma quantidade tão elevada de açúcar que quase não fermentam. Em face disso, é então efectuada uma pasta que depois é adicionada ao vinho de base, conferindo-lhe o nível de doçura pretendido. Nestes vinhos, o grau de doçura é medido por puttonyos (nome dos antigos recipientes onde a mencionada pasta era guardada), correspondendo actualmente cada punttoyo a 25 gramas de açúcar por litro. O seu estágio tem lugar em caves cavadas nas rochas das montanhas vulcânicas, formando labirintos que chegam a ultrapassar os 30 quilómetros. Estas caves mantém de forma natural níveis constantes de temperatura e humidade, criando condições ideais para armazenar e envelhecer os vinhos.
Os Tokaji Essência, uma raridade absoluta, produzida apenas em anos de eleição e obtida através do sumo gota-a-gota de uvas Aszú, podem mesmo ultrapassar aqueles níveis de doçura, aproximando-se de uma concentração de açúcar comparável à do mel.
Nota de Prova:
Terminado todo o cerimonial inaugural que este vinho nos impunha, começamos então a verte-lo para os copos. Deslizava de forma sóbria, austera e até mesmo com uma certa dose de sobranceria, parecendo ser perfeitamente conhecedor da sua aristocrática condição!
Exibindo uma cor de um dourado cobre já bastante escuro, assomou-se-nos ao nariz de forma pujante e contundente. A profusão aromática era de tal ordem intensa que nos obrigou a uma parcimónia pouco habitual. Ninguém parecia querer “abandonar” aquele sumptuoso bouquet…até parecia um sacrilégio passar à sua prova de boca e não desfrutar de tamanha pureza olfactiva por mais tempo! Aromas de frutos secos, como nozes, avelãs e uvas em passa, acompanhadas por sugestões meladas e compotadas dominam o seu nariz, sendo, contudo, também bastante perceptíveis as suas notas de figos maduros, casca de laranja e alguma mineralidade.

Ousando por fim dar início às hostilidades da degustação, vimos as portas do jardim do éden abrirem-se todas para nós! Que textura arrebatadora, que concentração e complexidade se fazem sentir neste vinho! Sendo um 6 puttonyos (150 gramas de açúcar por litro) a doçura excessiva não se faz aqui sentir, graças a uma acidez verdadeiramente triunfante. Volúpia e sedução, luxúria e lascívia andam por aqui de mãos dadas com uma enorme sensibilidade, delicadeza e erudição. Quem disse que estas características aparentemente antagónicas não se podem harmonizar na perfeição? Será que toda esta energia telúrica, toda esta autenticidade e profundidade, consubstanciarão mesmo o sabor antecipado do paraíso?

Voltaire dizia que os Tokaji possuíam o condão de conferir vigor à mais pequena fibra do seu cérebro. Mas que assertiva afirmação me parece ser esta…ou não fosse o Senhor um Iluminista! Suas Altezas Reais que me perdoem, mas este vinho não é dos Reis…é dos DEUSES!!!

sábado, 17 de julho de 2010

QUINTA DO BARRANCO LONGO - BRANCO GRANDE ESCOLHA 2009


CARACTERÍSTICAS:

Tipo: Branco
Região: Algarve
Produtor: Quinta do Barranco Longo
Castas: Arinto e Chardonnay
Teor Álcool: 13,00%
P.V.P.: +/- 10,00 €

NOTA PRÉVIA:

Eureka!...diria Arquimedes se cá estivesse! Mas não, desta vez não foi ele…fui mesmo eu que proferi tal expressão quando, há alguns dias atrás, consegui provar um vinho algarvio na famosa região situada no extremo sul do país e vulgarmente conhecida por Sotavento Algarvio! É verdade, finalmente descobri os tão famigerados Local Wines!!!
Em 2009, passei, ao todo, 25 dias no referido Sotavento Algarvio, entre os concelhos de Tavira e de Vila Real de Santo António, aos quais se seguiram outros tantos jantares e variadíssimos restaurantes.
Não obstante, sabem quantos vinhos algarvios consegui provar? Nenhum! Pois é, até parece mentira, mas é mesmo verdade!!! Nenhum dos muitos restaurantes frequentados, alguns dos quais com “alegadas responsabilidades”, possuía na sua carta qualquer referência a vinhos elaborados na região algarvia.
Produzindo vinhos desde tempos imemoriais, o Algarve chegou mesmo a afirmar-se como uma região vitivinícola de eleição, nomeadamente no século XIV, por alturas em que o país era francamente assolado pela filoxera. Esta região mais a sul, por ser aquela que mais terá conseguido escapar a tal calamidade, tornou-se numa verdadeira referência nacional, beneficiando, inclusivamente, de grande simpatia por parte da coroa Portuguesa da época.
Apresentando-se como um autêntico anfiteatro virado para o mar, com um clima genericamente classificado por mediterrâneo, usufruindo de uma diversidade de solos, seja arenosos, de aluvião, argilo-cálcarios e até mesmo xistosos e estando protegida a norte pelas suas serras de Monchique, Caldeirão e Espinhaço do Cão, o Algarve, afigura-se, quanto a mim, como um terroir pleno de potencialidades.
Tendo sido vítima, em meados do século XX, de desenfreados interesses de índole imobiliária e turística, os quais conduziram a um crescimento urbanístico perfeitamente desordenado, com o consequente arrancamento de inúmeros hectares de vinha, o Algarve ressurge nos últimos anos com vários projectos vitivinícolas bastante consistentes, que a médio prazo, digo eu, o irão certamente catapultar para a hegemonia vivida noutras épocas.

NOTA DE PROVA:

Um desses projectos é a Quinta do Barranco Longo, localizada em pleno Barrocal Algarvio, entre as freguesias de Algoz e São Bartolomeu de Messines. Este projecto tem vindo a ser conduzido por uma equipa liderada pelo produtor Rui Virgínia, que aposta na produção de vinhos de qualidade, aliados a tecnologia de vanguarda e a métodos enológicos inovadores.
Dessa quinta chega-nos agora este branco, elaborado a partir das castas Arinto e Chardonnay, cuja fermentação ocorreu em cascos de carvalho francês e americano e o estágio teve lugar, por um período de 6 meses, sur lie e batonnage.
Revelando um aspecto cristalino e uma cor citrina com laivos esverdeados, este vinho exibe um nariz extremamente aromático, com abundantes notas frutadas, a lembrar pêssegos e nectarinas, evidentes sensações de ananás e, ainda, uma certa maça verde tão típica da casta Chardonnay.
Na sua prova de boca, apresentou-se sempre muito equilibrado e harmonioso, com uma cremosidade deveras atraente, bom corpo, boa estrutura e suaves toques a baunilha provenientes da madeira que se acha, contudo, muitíssimo bem integrada. O seu final é profundamente fresco e sedutor.
Que grande Algarve temos aqui! Quem me dera ter este tipo de vinhos sempre à mão aqui no Porto, o que, acreditem, não é mesmo nada fácil!
No entanto, confesso ter agora o Algarve na minha mira, pelo que poderão esperar por futuras notas de prova referentes a vinhos oriundos daquela região!
Este branco da Quinta do Barranco Longo mostrou-se, efectivamente, um vinho alegre e espevitado, charmoso e galanteador, que ao saber falar-nos de forma muito terna ao ouvido, nos deixa uma verdadeira sensação de saudade curiosa!

Nota pessoal: 16,5                                                                                         Olga Cardoso

sexta-feira, 9 de julho de 2010

M de Mingorra - Late Harvest 2009


Região: Alentejo
Produtor: Henrique Uva - Herdade da Mingorra
Enólogo: Pedro Hipólito
Castas: Semillon
Teor Álcool: 13,8%
P.V.P.: +/- 15,00 €

Das quentes planícies do Baixo Alentejo, chega-nos agora este vinho branco doce, elaborado a partir de uvas sobreamadurecidas e já afectadas pela botrytis.  
Esta característica, também conhecida por podridão nobre, resulta da contaminação dos cachos pelo fungo botrytis cinerea, o qual, tendo como principal virtude a elevada desidratação das uvas e consequente concentração do seu açúcar, transmite aos vinhos um conjunto de aromas e sabores de inegável sedução. 

A casta escolhida para a elaboração deste Late Harvest foi a Semillon, casta rainha dos famosos vinhos doces de Bordéus, os Sauternes, onde não raras vezes aparece loteada com um pouco de Sauvignon Blanc e de Muscadelle.    

Pese embora a opção por esta casta, eventualmente presidida pela sua reconhecida susceptibilidade à botrytis, parece-me ter havido aqui uma certa vontade de fugir ao consagrado estilo daqueles vinhos franceses. 

Sempre olhei para a diversidade de estilos como algo muito benéfico para a evolução das colheitas tardias lusitanas, pelo que este pretenso “distanciamento” me agradou especialmente.

Nada tenho contra as colheitas tardias nacionais que se pretendem colar àquele estilo gaulês, reconhecendo até bastante qualidade a algumas delas, mas sempre achei que havia espaço e caminho para a “imitação” de outros perfis ou até mesmo para a criação de novos estilos.

No entanto, por conversas que tenho tido com outros amantes do vinho, e até pelo que tenho lido sobre este tipo de vinhos em fóruns e blogues da especialidade, parece-me que a “veleidade” de se afastar de uma tipicidade tida por mais tradicional, exibindo um perfil porventura menos consentâneo com o que muitos esperam de um Late Harvest, poderá custar à Mingorra umas quantas observações menos positivas!

Ousadia e inovação comportam sempre um certo risco, mas a Herdade da Mingorra, e agora estou a referir-me directamente ao seu vinho de nicho (Uvas Castas), já nos deu provas de que sabe proceder a uma adequada análise do mesmo.
Recorrendo a uma garrafa bem mais roliça do que estamos habituados, até nisso mostraram que se pretendiam distinguir...! Afinal de contas, o aparecimento de um formato diferente nas prateleiras das nossas garrafeiras poder-se-á tornar bem mais apelativo, não?!

Com um nariz onde não são desprezíveis os aromas mais típicos a mel e a frutos secos, são, no entanto, as suas notas cítricas e florais, aquelas que mais exalam do seu bouquet. Pese embora não se trate de um vinho doce com grande exuberância aromática, a harmonia e o equilíbrio são duas características que marcam forte presença no seu conjunto olfactivo.

Na boca mostra-se denso e untuoso, como convém a um colheita tardia, mas também bastante suave e elegante, graças a um grau de doçura muito bem conseguido.
Com um corpo médio e um nível de açúcares totais na casa das 89 g/l, este Late Harvest esgrima uma frescura e uma acidez muitíssimo bem colocadas.

Esta foi, de facto, a característica que mais me agradou neste vinho. Que acidez fantástica para um colheita tardia nado e criado em Beja! Qualidade essa que me faz mesmo antever uma digna capacidade de guarda.

A fermentação teve lugar em cuba inox, com paragem por abaixamento repentino da temperatura. O estágio foi efectuado em barricas de carvalho francês de 700 litros, previamente usadas na fermentação de vinhos brancos, por um período de apenas 6 meses, tendo por objectivo conferir-lhe tão só um pouco mais de estrutura e complexidade, sem o marcar em demasia.

Com os seus vários componentes muito bem interligados, onde a presença da madeira não esmaga a sua fruta, deixando mesmo que esta assuma um certo protagonismo, este vinho branco doce natural, apresenta um final longo e persistente.


No que concerne a harmonizações, estou em crer que a bem equilibrada balança entre doçura e acidez  lhe potenciará uma certa  versatilidade gastronómica. Mas porque ainda não o testei a esse nível, sugiro, para já, que o provem juntamente com o clássico foie-gras, seja fresco ou mi-cuit, ou até mesmo com um patê de foie temperado com umas pedrinhas de flor de sal, com uma diversidade de queijos, seja de pasta mole ou de pasta dura e com sobremesas tais como tarte de amêndoa ou strudel de maça.

Para os maiores apreciadores deste tipo de vinhos, ditos (erradamente quanto a mim) de sobremesa, deixo aqui uma pequena achega. 
Quando provarem este vinho, não pensem que irão ver explodir no copo a complexidade e a profundidade que reconhecemos ou podemos reclamar de um Château d’Yquem, de um Royal Tokaji Essencia ou de um Trockenbeerenauslese alemão da melhor estirpe.

Nada disso, como é óbvio! Apreciem-no como um colheita tardia português, produzido numa região de muito calor, mas muito bem feito, muito bem proporcionado, consistente e afinado.

Nos últimos anos, temos vindo a assistir ao surgimento de vários Late Harvest em Portugal, muitos dos quais de qualidade duvidosa é certo, mas também não me parece menos certo que as potencialidades lusas neste tipo de vinhos se têm vindo a afigurar cada vez maiores.

Deixemo-nos então de comparações inócuas e acarinhemos o que é nosso…ou por nós efectuado!

E se eu já desconfiava que um certo hedonismo pairava sobre a adega da Mingorra, este vinho veio por fim confirmá-lo, de uma forma melódica e compassada, assim como que…a título de apoteose!

“Quando se é todo em cada coisa e se põe tudo quanto se é no mínimo que se faz, a lua toda brilha, porque alta vive!”                                                                          
                               
Por último, e não obstante a sua eventual polivalência à mesa, sugiro ainda que o saboreiem na ausência  de qualquer companhia. Acreditem que, desde que servido a cerca de 8º C e num copo adequado (vulgo copo Siza para Vinho do Porto) me parece ter predicados suficientes para nos proporcionar um belíssimo concerto a solo!                                                                                   
E já agora, este vinho será um Adagio ou um Allegro Vivace? Provem-no e depois digam-me…

Nota Pessoal: 17                                           Olga Cardoso