sábado, 25 de julho de 2009

PINOT NOIR - Uma casta de eleição...da minha eleição!

A Casta Pinot Noir

A Pinot Noir é uma das uvas mais complexas do mundo. De nome charmoso, ela é a grande dama das uvas viníferas europeias, particularmente na França de onde é autóctone.
Poder-se-á dizer que a Pinot Noir é uma uva muito bem nascida. O seu berço foi a maravilhosa Borgonha. Uma província localizada a sudeste de Paris que tem como principal região de vinhos a Côte D'Or (encosta dourada), subdividida entre a Côte de Beaune, a sul, e a Côte de Nuits, ao norte.
Poucas são tão importantes no mundo como ela. Cultivada há séculos, nunca se conseguiu saber exactamente o que o seu nome significa.
Contudo, acredita-se que este provenha da própria configuração dos seus cachos que se assemelham a pinhas ou outras coníferas.
Manuseá-la nas vinhas exige muito trabalho e, para a degustar, é necessária uma compreensão diferente da que normalmente necessitamos ter para outros vinhos tintos.
Na produção de tintos, ela dificilmente é blended (misturada) com outras uvas, tendo alcançado a sua fama em vinhos varietais (monocastas).
Esta nobre uva dá origem a vinhos, de uma maneira geral, sensuais, pálidos, delicados, perfumadamente doces e muitas vezes para reflexão.
Pode representar uma relação de amor e ódio, tanto para o produtor quanto para o consumidor. Pode dar origem ao vinho da maior qualidade que algum dia já se provou ou àquele que, pela menoridade com que se apresenta, nos desilude em toda a sua dimensão.
Ao contrário da Cabernet Sauvignon, que se adapta e se afirma em quase todas as regiões, a Pinot Noir exige viver num clima perfeito, exige a quantidade exacta de estágio em barrica (apenas o suficiente para lhe adicionar complexidade) e, ainda, o preciso amadurecimento dos seus taninos (o suficiente para lhe garantir uma textura aveludada).
A sua difícil adequação a outros tipos de habitat é uma das razões pela qual não possuímos muitas regiões do mundo com vinhos Pinot Noir destacados.
Em climas demasiado quentes produz vinhos que beiram a marmelada, perdendo todo o seu carácter. Quando desequilibrada, a Pinot Noir origina vinhos diluídos e herbáceos, com taninos verdes e amargos.
No entanto, quando esta surpreendente uva atinge o seu exacto equilíbrio, o resultado pode ser verdadeiramente excepcional, conforme se tem vindo a assistir desde longa data em duas das mais nobres regiões francesas - na Borgonha, onde se assume como casta soberana no que concerne à produção de vinhos tintos e em Champagne onde é, muitas vezes, a espinha dorsal de um dos vinhos mais singulares do planeta - Le Champagne.
Efectivamente, é nestas regiões vitivinícolas, para cujos viticultores e produtores se assume como um verdadeiro tesouro, que a Pinot Noir é tratada com a atenção, o carinho e a dedicação de que tanto carece.
No vinhedo, é uma uva de amadurecimento precoce e por isso uma das primeiras a serem colhidas.
Para além de exigir cuidados redobrados na vinha ela é também algo complicada de trabalhar depois de colhida, já que a sua fina casca ou película se rompe facilmente, liberando todo o sumo da fruta.
Em adição a essas características, a Pinot Noir tem, normalmente, menos taninos e pigmentos, produzindo quase sempre vinhos mais claros.
Não há como negar que, tanto no seu processo de desenvolvimento na vinha quanto no processo de vinificação, esta uva requer muito mais devoção se comparada com qualquer outra uva que produz vinhos tintos.
Até algum tempo atrás, quem desafiou a Pinot Noir e resolveu cultivá-la fora da Borgonha colheu infortúnios.
Contudo, a despeito das imensas dificuldades que ela apresenta, plantá-la sempre foi uma tentação irresistível. Que o digam os vinicultores do Novo Mundo.
Hoje, pese embora o seu número seja ainda reduzido, já se vão encontrando bons vinhos da casta Pinot Noir nos Estados Unidos (Oregon e Califórnia), na Nova Zelândia, no Chile, na Argentina e na África do Sul.
Se for verdade que o gosto contemporâneo tem tendência a abdicar dos vinhos mais pesados e carregados, voltando-se para vinhos mais elegantes, não poderá haver terreno mais propício à Pinot Noir, que dessa forma, esperemos que sem perda da sua aristocrática singularidade, se poderá “democratizar”, deixando de ser apenas um privilégio de alguns e apareça no mercado a preços menos proibitivos para grande gáudio dos seus inúmeros apreciadores.

Olga Cardoso

1 comentário:

susana disse...

concordo completamente com a tua opinião em democratizar esta casta de eleição