domingo, 25 de abril de 2010

QUINTA DOS ABIBES BRANCO SUBLIME 2007


Região: Bairrada
Produtor: Quinta dos Abibes - Vitivinicultura, Lda
Enólogo: Osvaldo Amado
Castas: Sauvignon Blanc e Bical
Teor Álcool: 13.3%

De regresso à escrita, após um afastamento de cerca de três meses motivado por contratempos de foro pessoal felizmente já controlados, tenho o prazer de partilhar convosco um vinho proveniente de uma região vitivinícola com elevado potencial e cuja denominação de origem nasceu há cerca de 30 anos – a Bairrada.
A Quinta dos Abibes situa-se no sopé da Serra do Buçaco, concelho de Anadia, tendo sido adquirida em 2003 pelo Prof. Francisco Batel Marques, pessoa que conheci de forma muito fugaz, mas suficientemente marcante para lhe reconhecer um elevado carisma e uma enternecedora doçura.
Certamente movido por uma enorme paixão e uma forte vontade de inovar, submeteu os 10 hectares que compõem aquela propriedade, há longo tempo votada ao abandono, a um rigoroso plano de engenharia agrícola, com a consequente e cuidada planificação da escolha das castas e plantio das vinhas, tendo em vista a produção de vinhos únicos e de irrefutável qualidade.
O pelouro da enologia foi acertadamente atribuído a Osvaldo Amado, afável e sabedor enólogo, responsável pela produção de vários vinhos neste país, já que para além desta Quinta e de outro pequeno projecto na Bairrada, ocupa também o cargo de enólogo director da Enoport.
Detentor de uma cor citrina, cristalina e intensa, este branco bairradino foi elaborado a partir das castas Bical (30%) e Sauvignon Blanc (70%), tendo sido submetido a um estágio de 6 meses em barricas novas de carvalho françês seguidos de mais 6 meses em garrafa.
Com um nariz onde se acham presentes os habituais frutos cítricos e tropicais, apraz-me sobretudo realçar as vincadas notas de maça verde, aroma que muito aprecio, subtilmente interligadas com os fumados e a baunilha emergentes da madeira onde estagiou.
Na boca mostra-se volumoso, envolvente e com boa estrutura. Mais uma vez, a madeira não se faz aqui sentir com demasiada intensidade, dando espaço a que outros sabores se manifestem de forma alternativa. Com uma frescura e uma acidez que me deixaram totalmente rendida, a sua prova de boca termina de forma longa, quer no comprimento, quer na intensidade.
Provei este vinho pela primeira vez há já alguns meses, num agradável almoço com a presença de simpáticos e sabedores convivas, mas tive também a sorte de ter sido presenteada com mais uma garrafa que cuidadosamente guardei para o voltar a provar mais tarde.
Assim o fiz! Na companhia de outros amigos, até para dar a conhecer o que de muito bom se faz na ainda tão lamentavelmente ostracizada região da Bairrada, pude comprovar a grande valia e genuinidade deste vinho que se revelou também gastronomicamente polivalente.
Infelizmente para todos nós consumidores, a sua produção é muito pequena, cerca de 600 garrafas, mas segundo informações recentes, dada a elevada qualidade das últimas colheitas, o número de unidades irá aumentar, permitindo, assim, que um maior número de eventuais interessados possam ter acesso a este vinho repleto de atributos.
Em suma, trata-se de um vinho de elegantes matizes e que se soube distanciar de certos registos mais tradicionais. Um vinho com garra, de fácil empatia e de pura sedução.
Mais adjectivos para quê? SUBLIME é o seu nome…!
Nota pessoal:  17

2 comentários:

su disse...

Guinha...nada como voltar em força!!! estava com saudades da forma como descreves as notas..é que até pode ser mau...já que nem se precisa de beber para nos deliciarmos com a coisa, heheh. Parabéns e força pois fazes falta pela diferença que trazes. bj

Dina disse...

Por um mero acaso li este artigo e estou em total acordo com tudo o que diz, sobre este vinho, sobre a minha região que tão maltratada tem sido e continua a ser. Eu, apaixonei-me por este vinho quando ele apareceu pela primeira vez na feira da vinha e do vinho em Anadia. O meu papel era promovê-lo e assim fiz. Os visitantes que o provaram no primeiro ano,vão perguntar por este verdadeiro e apaixonante nectar da bairrada.