sábado, 3 de outubro de 2009

MICHAEL SHIRAZ 1998



País: Austrália
Região: Coonawarra
Produtor: Wynns Estate
Enólogo: Sue Hodder
Castas: Shiraz (Syrah)
Teor Álcool: 13,5%
P.V.P.: +/- € 50,00


Tal como acontece com o John Riddoch Cabernet Sauvignon, a Wynns só produz o Michael Shiraz em anos de safras absolutamente excepcionais, utilizando para o efeito apenas as uvas das melhores vinhas existentes em Coonowarra.

Fermentado e amadurecido em barricas usadas de carvalho francês e em barricas novas e outras com mais de um ano de carvalho americano, este vinho é já uma lenda da indústria vitícola australiana, tendo há muito atingido uma elevada reputação internacional.

Este extreme da casta Shiraz é considerado um best-of-vintage da Wynns Coonawarra, pelo facto de se tratar de um vinho elaborado apenas em anos de excepção. Este conceito best-of-vintage surgiu pela primeira vez na década de 50, tendo, contudo, ficado esquecido durante vários e longos anos, pelo que só viria a ser reavivado com a soberba colheita de 1990.

Tive o privilégio de o degustar num recente jantar enogastronómico com simpáticos amantes do vinho, no qual este Michael Shiraz 1998 não teve qualquer dificuldade em superar os seus companheiros vínicos, impondo-se de forma majestosa como o grande senhor da noite.

De um vermelho escuro com vivos reflexos rubi, este vinho seduzia de imediato tal a postura intensa e opulenta que exibia dentro do copo.

O seu nariz revelou-se de uma exuberância estonteante face à panóplia de aromas que exalava de forma simultaneamente viril e delicada.
As frutas negras, generosas e maduras, algo compotadas até, apareciam de forma espontânea, como que confortavelmente deitadas numa cama de especiarias e notas balsâmicas.

Das típicas cerejas e ameixas pretas às amoras e morangos muito maduros, da bem presente pimenta preta até um certo toque de vegetal ao fundo, passando inevitavelmente pelas suas notas de menta, chocolate e cacau, tudo era possível retirar deste blend de nobres essências.
A sua diversidade aromática era de tal maneira colossal que quase nos podíamos dar ao luxo de seleccionar os aromas de que mais gostávamos.

Na boca manifestou-se profundo e elegante, suportado por um complexo de taninos redondos e seguros e por uma frescura e acidez absolutamente notáveis. A madeira está correctamente integrada, fazendo deste vinho um excelente exemplo de uma proporcional relação fruta/barrica

Não obstante os seus 11 anos de vida, demonstra possuir ainda uma vida longa pela frente, comprovando assim a sua proclamada longevidade.
Indiscutivelmente um Grande Tinto Australiano e, sem dúvida, o melhor Shiraz (Syrah) que alguma vez provei.

2 comentários:

Luís Maia disse...

Pois tb provei, recentemente o John Riddoch Cabernet Sauvignon 1998. E... não tavas lá...lol.
Não se pode estar em todo o lado... é o que dá.
E está simplesmente excepcional, bordalês, elegante, com uma côr e concentração extraordinária, novíssimo para 11 anos. Ainda há por aí uma botelha ou duas...lol

Olga Cardoso disse...

Também queroooooooooo! Poderei partilhar dessa garrafita que ainda sobrevive? Posso contribuir com um 1er Cru de Chassagne-Montrachet. Topas? Bora aí marcar uma partilha de malhas? I'am waiting...