domingo, 29 de novembro de 2009

QUINTA DA REVOLTA - DOURO


Esta genuína Quinta, desde há muito propriedade da família Moreira da Silva, tem vindo a ser objecto de consideráveis obras de recuperação e melhoramento, nomeadamente, no que concerne às suas condições de vinificação e guarda de vinhos.
A sua adega está agora melhor equipada e bastante funcional sem que o seu aspecto visual e arquitectónico tenha sido minimamente descurando, encontrando-se perfeitamente harmonizada quer com a construção local, quer com a paisagem envolvente.
Situada bem próximo da cidade da Régua, na designada sub-região do Baixo Corgo, esta Quinta possui uns vinhedos muito bem tratados e com excelentes exposições solares.
Favorecendo a plantação de uvas de elevada qualidade, tem vindo a presentear-nos todos os anos com vinhos inovadores e de carácter muito próprio.  
Esta empresa, cujos trabalhos de enologia estão actualmente a cargo da dinâmica e proactiva dupla Gabriela Canossa e Vitor Carvalho, tem vindo a demonstrar um especial interesse quer pela inovação e investigação, quer pela reabilitação de castas actualmente pouco plantadas ou até mesmo quase abandonadas como são, respectivamente, a Tinta Francisca e a Touriga Fêmea.
Na recente visita que fiz a esta Quinta, onde fui ciceroneada pelos seus referidos simpáticos enólogos, pude conhecer os actuais vinhos desta casa, dando-vos agora nota das minhas impressões pessoais sobre alguns deles, deixando para um próximo comentário, até para não tornar esta exposição demasiado longa, os seus vinhos generosos e aquele que considero ser o seu grande porta estandarte – o CORPUS. 

QUINTA DA REVOLTA ROSÉ 2008
De tom rosado meio pálido, este rosé foi fermentado sob rigorosas condições de temperatura e revela toda uma vivacidade inerente à fermentação de sangras frescas das mais nobres castas tradicionalmente enxertadas no Douro, como são a Touriga Nacional, a Touriga Franca, a Tinta Roriz e a Touriga Fêmea.
No nariz evidência um aroma muito frutado, a lembrar frutos vermelhos tais como morangos, cerejas e framboesas, acompanhados bem de perto por fortes laivos vegetais.
Na boca mostra-se muito refrescante, com elevada acidez e uma generosa dose de mineralidade a conferir profundidade e complexidade a todo o seu conjunto.
Estamos perante um rosé bastante seco, com um perfil muito próprio e diferente do que tem sido habitual encontrar num mercado cada vez mais apetrechado de vinhos rosados. Uma moda que parece ter vindo para ficar.
Bastante gastronómico, característica que se confirma também pelo seu elevado teor alcoólico, este vinho possui um final de boca bastante elegante e reconfortante.
Nota Pessoal: 16,5                                                     P.V.P.: 5 - 6 €
QUINTA DA REVOLTA RESERVA 2007        

Este blend tipicamente duriense resulta da junção de quatro nobres castas provenientes de vinhas velhas, a saber: Touriga Nacional, Tinta Roriz, Tinta Barroca e Tinta Amarela.
De cor marcadamente ruby, o seu nariz revela acentuados aromas a ameixas pretas e frutos do bosque muitíssimo bem alicerçados em elegantes notas especiadas.
Com uma boa prova de boca, este Reserva demonstra grande potencial, apregoado pelas suas notáveis frescura e acidez e os seus refinados toques de tabaco e de ligeiro couro.
Se é verdade que o seu estágio de 12 meses em barricas de carvalho francês ainda se faz sentir, também não é menos verdade que um certo tempo em cave tudo irá harmonizar.
Um vinho complexo, cheio de personalidade, um vinho com uma pretensão plenamente justificada, cuja enorme complexidade e requintado carácter me deixaram boas recordações e elevadas perspectivas.
Nota Pessoal: 16,5                                                        P.V.P.: 7 - 8 €
QUINTA DA REVOLTA TINTA FRANCISCA 2006
De cor intensamente granada, este vinho resulta de mais uma aposta ganha por parte desta empresa - a de persistir na plantação de uma casta pouca acarinhada nas últimas décadas e a da sua apresentação a solo, quando o mais habitual parece ser a sua utilização em vinhos de lote.
Um tinto que revela uma elevada finesse aromática, com muita fruta preta e madura de boa qualidade assente numa cama composta por subtis notas balsâmicas e suave pimenta preta.
Na boca mostra-se muito fresco, com uma boa e estruturante acidez, muito poderoso e com um final de grande comprimento.
No entanto, os seus taninos apresentam-se ainda algo rebeldes, como que a requerer ainda um certo período de acalmia em garrafa.
Trata-se efectivamente de um vinho guloso e com garra, cuja complexidade conferida por um prolongado estágio em madeira, aconselha e merece um adequado descanso em cave, por forma a que ele nos venha a demonstrar todos os seus fortes argumentos.
Nota Pessoal: 16                                                            P.V.P.: 12 - 13 €
QUINTA DA REVOLTA TOURIGA FÊMEA 2007

Este vinho, vinificado segundo as mais rigorosas práticas enológicas, foi elaborado exclusivamente a partir da quase extinta Touriga Fêmea, casta que se caracteriza por uma baixíssima produção e uma grande concentração fenólica e aromática.
Muito concentrado na cor, este curioso vinho possui um nariz deliciosamente apelativo e inebriante. As suas notas de fruta preta e bem madura, misturadas com nobres sensações de mato, fazem dele um amante surpreendente.
Na boca apresenta-se encorpado e macio, com uma acidez muito correcta, taninos finos e uma subtil complexidade resultante do seu pequeno estágio em boas barricas usadas.
Um vinho muito curioso e sedutor, com um final longo e elegante que, não obstante estar já pronto para ser consumido, revela também um considerável pontencial de longevidade.
Agora que o conheci…este sumptuoso elixir de baco passará a ser seguramente uma presença assídua à minha mesa.
Nota Pessoal: 17                                                              P.V.P.: 12 - 13 €

6 comentários:

Ricardo Campos disse...

voltei ao teu blog, e logo hoje q abri uma garrafa de Porto de 57... estava uma delicia.

adicionei-te aos blogs q eu recomendo, a proxima vez q te vir vou fazer-me de conhecido e meter conversa contigo, ok?

OLGA CARDOSO disse...

Que inveja desse PORTO...

Quando me vires no Wine o'Clock apresenta-te se.
De certeza que quando olhar para a tua cara vou-me lembrar de já te ter visto por aquelas bandas!!!

Ricardo Campos disse...

da ultima prova que em que te vi lá, estivemos a falar juntos, a trocar impressões sobre o vinho... acho q foi o poeira!
tu estavas do meu lado esquerdo e eu sou aquele q me costumo sentar na entrada do bar... costumo estar sempre a tagarelar com um tipo de oclinhos,«. hehehe

Ricardo Campos disse...

eu tenho inveja de muitos dos vinhos q tu provas... alguns deles nem me passam pela frente dos olhos, quanto mais no meu copo

OLGA CARDOSO disse...

Rapaz...estás intimado para te apresentares na próxima prova!!!

Estou à espera..

Anónimo disse...

A Quinta da Revolta tem um "corpus" sensacional, senatorial, que revolta não se poder beber mais que o que mandam as boas regras.
Família Moreira da Silva de parabéns, mas o Alfredo merece aquele abraço

Rui Huet Viana Jorge