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sábado, 19 de janeiro de 2013

CURRICULUM VITAE 2010 E QUINTA VALE DONA MARIA 2010


The Wine Advocate Magazine dá classificação máxima do ano 2010 aos tintos Durienses  - CV  Curriculum Vitae 2010 e Quinta Vale D. Maria 2010 de Cristiano Van Zeller. Com 94 e 93 pontos, respectivamente, obtiveram as duas mais elevadas classificações dos vinhos da colheita de 2010 atribuídas pela publicação fundada por Robert Parker, o mais prestigiado e influente crítico de vinhos internacional. 

                                                      
CURRICULUM VITAE 2010 
Muito concentrado na cor, este tinto de 2010 mostra-se muito balsâmico no aroma. Fruta preta madura, como amoras e mirtilos são também evidentes. No entanto, a presença da madeira é ainda bastante notória, característica que amaciará com o tempo em garrafa. A boca apresenta-se muito fresca, viva, com taninos muito presentes e com uma acidez que nos permite augurar-lhe uma enorme longevidade.

QUINTA VALE DONA MARIA 2010
Menos extraído na cor que o seu irmão CV 2010, este Vale Dona Maria é talvez um dos vinhos mais impressionantes da sua geração e segmento. Frutos vermelhos e frutos do bosque dominam o seu conjunto olfactivo. A madeira encontra-se muito bem integrada, sendo as sensações de tostados e fumados bastantes subtis. Com belíssimo corpo e volume, este tinto duriense apresenta uma notável textura, com uma acidez muito bem colocada e um conjunto de taninos a aconselhar ainda um certo repouso em cave, para que tudo se harmonize e o transforme num vinho ainda mais elegante, profundo e complexo.

Sobre a QUINTA VALE DONA MARIA veja também aqui.                                              (http://aminhaloucapaixao.blogspot.pt/2012/10/no-passado-dia-14-de-setembro-no.html) 

sábado, 29 de dezembro de 2012

NIEPOORT – BATUTA 2001

Estamos perante um vinho que gerou uma certa celeuma aquando da sua saída para o mercado. Para muitos, ascendeu prontamente ao melhor Batuta de sempre. Para outros, tornou-se numa fonte de discordâncias e contestações. Terá o produtor o direito de alterar o perfil de um vinho deste segmento, com este estatuto e com tamanha fileira de apreciadores?

Pois parece-me um tema de elevado interesse para uma animada discussão. Razões assistirão às diferentes facções. Tanto quanto conheço do Dirk Nieepoort e da sua paixão por vinhos, os dogmas e os status quo não serão certamente factores determinantes. Sem comprometer a qualidade, a sua fidelização de clientes, assentará mais na busca permanente da diferenciação, na vontade de ir mais além, de querer fazer mais e melhor e de experimentar até à exaustão numa busca incessante pela excelência.

Este Batuta mostrou-se mais desafiador e mais irreverente. Talvez um pouco mais contido à entrada, mas com o tempo em copo foi-se soltando e revelando todo o seu esplendor. Fruta e barrica em perfeito equilíbrio como se impunha. Os frutos eram de cariz silvestre. Amoras e mirtilos em evidência.
A tosta é já ligeira e muito bem integrada. Notas balsâmicas aparecem aqui e ali. Sensações terrosas e resinosas marcam a sua presença. 

Tudo num registo muito bem desenhado e sem arestas. A sua acidez é perfeita e os seus taninos, embora presentes, são já muito suaves e sedosos. A sua longevidade parece ser já uma certeza, assim como o seu carácter e o seu enorme equilíbrio.

Desenganem-se os amantes da testosterona, pois não será aqui que irão encontrar a sua “terra prometida”. Um vinho que sem deixar de ser potente é também muito elegante, pleno de vitalidade e fulgor, um vinho com enorme profundidade e com um final ad infinitum!

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

COLLECTION 2010 by RAMOS PINTO

A boa produtividade de 2010, em termos vinícolas, vem associada ao equilíbrio e à elegância dos vinhos deste ano. A frescura e a suavidade são as principais características dos nossos vinhos, desta colheita.

Neste vinho, juntam-se as uvas da Quinta do Bom Retiro, quinta tradicional do Douro, situada na sub-região de Cima Corgo, e as da Quinta de Ervamoira, a primeira quinta moderna do Douro, situada na sub-região do Douro Superior. Enquanto as primeiras lhe conferem complexidade, elegância e finesse/carácter, as segundas trazem-lhe vivacidade, nervo e concentração.

Das vinhas velhas da Quinta do Bom Retiro e das vinhas maduras da Quinta de Ervamoira nasce este vinho de cor densa e brilhante, muito escura e com reflexos grená.

Apresenta um nariz intenso e suave, com aromas vivos de flor de laranjeira e de tangerina, notas de especiarias, pimenta preta. No final, sobressaem aromas delicados de amoras e ginja, com notas de marmelo. 

E na boca, é elegante e dinâmico, passa de macio a saboroso, com aromas de esteva e especiarias. No final de boca, como acontecia no nariz, aparecem e ficam aromas frutados de ginja, cereja e amoras.

Sugerimos que acompanhe o COLLECTION 2010 com entradas à base de presunto e carnes frias. Interessante, como acompanhamento de pratos agridoces, como lombo de porco assado com marmelos e lombo de porco recheado com ameixas. É perfeito com pratos de porco assado no forno. 

No fim da refeição é óptimo com queijo de ovelha apimentado, não muito curado, como por exemplo queijos de ovelha do Vale do Côa com doce de amoras e com doce de abóbora e amêndoa.  A imagem do COLLECTION 2010 – Bacantes com tigres, é um postal impresso em Paris, em 1916, pela Casa Plumereau Fils, encomendado por Adriano Ramos Pinto para reclame dos seus vinhos.                             

Press Release
Ramos Pinto. Grandes Vinhos.

sábado, 17 de novembro de 2012

DONA BERNARDA 2009 - CHILE

A Luís Felipe Ewards foi fundada em 1976, e é, inegavelmente, uma das empresas vitivinícolas mais modernas do Chile, exportando actualmente para mais de 60 países estrangeiros.

Trata-se de uma empresa que produz uma vasta gama de vinhos, destinados a satisfazer uma panóplia alargada de consumidores. Mais do que a diversidade propriamente dita, a qualidade dos vinhos produzidos tem sido sempre a sua maior preocupação e o seu factor diferenciador.          
                                           
Dona Bernarda é o vinho ícone lançado por Luís Felipe Edwards em honra de sua esposa, Bernarda.

Este vinho tem sido sempre produzido em pequenas quantidades e a partir de uvas da mais alta qualidade. Desde o início, a casta maioritariamente utilizada foi a Cabernet Sauvignon, geralmente misturada com Carmenere, Syrah e Petit Verdot. As percentagens utilizadas poderão variar em função da qualidade atingida em cada colheita.

Falamos de rendimentos muito baixos, elevadas concentrações, selecções cuidadosas, esmagamentos lentos e fermentações lote por lote. A este vinho é sempre oferecido o melhor tratamento em cada fase de sua vida, por forma a conferir o máximo de personalidade e complexidade à mistura final. O estágio é longo e efectuado em barricas novas de carvalho francês.

De cor rubi intenso, revela um nariz exuberante, com fruta de bosque em bom plano. Amoras pretas e mirtilos assolam de imediato. Bastante balsâmico, denota também aromas resinosos e mentolados. A fechar o seu conjunto olfactivo, sentem-se ligeiras sensações fumadas e muito bem integradas.

Na boca entra forte e seguro. Volumoso, guloso e bem estruturado, este tinto do Novo Mundo revela-se fresco e com uma acidez muito correcta. O seu final é quente, mas longo e deveras persistente. Uma aposta segura…a um preço muito convidativo. Cerca de € 23,00…what else! 

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

CONCEITO – Vinhos do Douro Superior e algo mais …

Já lhe conhecia o “conceito" ... já lhe apregoava a qualidade...mas foi definitivamente neste carismático almoço que lhe prestei vassalagem! 
É, indubitavelmente, um caso muito sério no panorama vínico nacional. Rita Marques Ferreira é ainda uma jovem enóloga. Tendo como base a UTAD, esta coqueluche da enologia nacional viajou para outros quadrantes, sorvendo o que de bom por lá se fazia.   
Da família herdou uns quantos hectares de vinha no Douro Superior, que com toda a mestria e uma adega simples mas bem equipada, começou a dar largas ao seu talento e a espalhar toda a sua magia…
A prova iniciou-se precisamente pelas suas andanças além mar…e que mar esse tão distante! Nova Zelândia foi o porto seguro para a sua primeira experiência internacional. Um Sauvignon blanc de fazer corar as pedrinhas da calçada dos nossos mais vaidosos antípodas!                                               

CONCEITO SAUVIGNON BLANC 2011
Sendo um vinho produzido no chamado novo mundo, distingue-se dos seus congéneres desde logo pelo seu nariz. Mais contido nos aromas, sem grandes exuberâncias nem grandes exageros de tropicalidade, este Sauvignon blanc faz jus às características próprias da casta. Vegetal quanto baste, mostra toda a sua pujança mineral, sem nunca deixar de revelar a sua fruta limpa e pura em grande plano. A sua boca apresenta-se fresca e muito consistente. Com uma acidez bem colocada, exibe um corpo menos delgado do que poderíamos estar à espera, mostrando uma estrutura surpreendente, bom volume e um final muito sedutor. Um branco bem proporcionado, entusiasmante mas despreocupado...um vinho de empatia imediata e que não deixará ninguém indiferente!            

CONCEITO BRANCO 2010
Um branco que logo nas primeiras impressões…entrou directo para o meu top 5 dos brancos portugueses. O seu nariz é rico e complexo. Fruta branca de pomar, muito fina e limpa, toma conta das hostilidades. Requintadas notas minerais harmonizam plenamente com as suas suaves sensações de barrica. Tudo muito bem conseguido e com muito carácter. A boca mostra-se delicada, envolvente e com bom porte. O seu corpo é vigoroso mas elegante, sustentado por uma acidez muito fina e equilibrada. Um branco de grande classe que se assume, sem vaidades mas também sem timidez, como um dos mais notáveis vinhos brancos do Douro!  
                                                                                  
CONCEITO TINTO 2009
Um nariz promissor logo à entrada. Barrica bem integrada, deixando a fruta fazer o seu papel. Aqui ninguém assume protagonismos. Tudo em muito boa posição. Tudo muito bem harmonizado. Algum cacau e chocolate preto à mistura. Notas balsâmicas fazem-se também sentir, mas com natural subtileza. O seu corpo não se impõe pelo peso, mas antes pela elegância e por uma cama de taninos presentes mas seguros. A sua acidez faz-nos acreditar num futuro promissor e o seu final de boca atira-nos para juízos de valor muito mais audazes, permitindo-nos afirmar que se trata de um grande vinho, um tinto de luxo que ombreará, sem medos, com os maiores vinhos não só do Douro Superior como de todo o País.                     

CONCEITO VINTAGE 2005
A cor é ainda muito negra e brilhante. No aroma mostra-se imponente e seguro, elegante e tremendamente aprimorado, provando-nos, desde logo, que nem só das grandes casas produtores de Vinho do Porto, surgem os melhores exemplares deste estilo de vinhos. Frutas negras maduras marcam forte presença, acompanhadas de notas de chá preto e chocolate das mais nobres proveniências.  Na boca revela uma estrutura invejável, dimensão, volume e uma acidez fora de série. O seu final é muito longo e poderoso. Um Vintage intenso, denso e complexo. Um verdadeiro tributo à região demarcada do Douro!
                                                                                                                     
CONCEITO TAWNY 10 ANOS
Brilhante na sua tonalidade mogno suave, no seu acobreado charmoso. Aqui, sinto-me verdadeiramente em casa! É destes Portos que gosto de falar, são estes os Portos que me atraem, os Portos envelhecidos em largos espaços de madeira, sem medo, sem pressa, simplesmente à espera do que o tempo lhes designará. Este não esperou tanto assim, mas o suficiente para o tornar num Porto compacto, meloso e cativante. No aroma predominam os frutos secos, caramelo, casca de laranja e pralinés. Tem corpo, volume e estrutura. A sua boca é suculenta, alegre e radiante. Com uma acidez muito bem medida, este Porto apresenta-se em pleno fulgor da sua puberdade…sim, porque temos vinho para muitos e muitos anos! Saberá envelhecer com destreza, engenho e arte…um Tawny 10 anos que tão cedo não me sairá da memória!

terça-feira, 30 de outubro de 2012

QUINTA DO VALE MEÃO

Não é todos os dias que vinhos deste calibre passam pelos nossos copos e nos invadem os sentidos! Numa recente viagem ao Douro pude visitar a Quinta do Vale Meão e usufruir de um simpático almoço, na companhia de Francisco Olazabal Filho e variadíssimos wine writers portugueses e espanhóis.  

Pela mesa iam passando várias estrelas, enquanto outras, já abertas…decoravam os móveis de apoio e acicatavam as nossas papilas gustativas! 
Enquanto degustava aqueles vinhos, tentava viajar no tempo e recuar até ao último quartel do século XIX, altura em que Antónia Adelaide Ferreira, contrariando todos os doutos pareceres da época, teimou em comprar aquelas terras inóspitas e “longínquas” para ali fazer nascer uma quinta a que deu o nome de Quinta do Vale Meão. 
Que ousadia e tenacidade! Que instintos visionários moviam aquela mulher que, sessenta anos antes, inaugurou aquele que viria a ser o berço do mais emblemático vinho português – o Barca Velha.
Mas não é deste vinho que agora pretendo falar, até porque desde há largos anos passou a ser vinificado na Quinda da Leda, situada uns quilómetros mais há frente e de cujos “tesouros” falarei oportunamente.
Agora vou apenas deixar aqui o meu testemunho sobre os três VALE MEÃO que mais prenderam a minha atenção.                                                                                                     

QUINTA DO VALE MEÃO 2002
Apesar dos seus 10 anos de vida, apresenta ainda uma notável concentração de cor. Muito afinado, este Vale Meão exibe uma Touriga Nacional em muito bom plano, com os seus aromas florais a marcarem forte presença. Aromas balsâmicos invadem-nos suavemente o nariz, ao que acresce um ligeiro toque mentolado a conferir ainda maior complexidade ao seu conjunto. Na boca marca pela harmonia e equilíbrio, sustentados por uma fina textura de taninos já bastante suaves e reconfortantes. O seu final é muito longo, opulento e poderoso.

QUINTA DO VALE MEÃO 2008
Proveniente de um ano em que as condições climatéricas permitiram uma maturação lenta e sustentada, este tinto duriense impressiona pela sua estrutura bem definida, em que todos os componentes se mostram em perfeito diálogo. Muito mais frutado que o 2002, o seu nariz está profusamente marcado pelas frutas negras, carnudas e maduras, perfeitamente misturadas com as notas de cacau e café que também se fazem mostrar de forma não menos tímida. Com um corpo robusto e seguro, este 2008 mostra-se pujante e exibe uma acidez e uma frescura absolutamente perfeitas…características que lhe determinam uma velhice tardia e plena de charme. Uma verdadeira “luva de seda em punho de aço”!

QUINTA DO VALE MEÃO 2010
O mais jovem membro desta linhagem Duriense, mostra-se muito mais pronto que os anteriores mas sem deixar cair por terra os pergaminhos próprios de tão nobre ascendência. No nariz dominam as frutas pretas maduras e limpas, em perfeita harmonia com as suas notas de barrica. Sensações especiadas fazem-se sentir aqui e ali, fazendo jus à sua complexidade olfactiva e à sua já vaticinada profundidade aromática. Com uma boca muito bem proporcionada, revela possuir um estilo mais “fashion”, mas muito polido e requintado. Fresco, redondo e com uma acidez acutilante, este Vale Meão possui a alma e o coração suficientes para se tornar num dos mais recentes ícones do DOURO.

sábado, 13 de outubro de 2012

PROVA VERTICAL – QUINTA VALE D. MARIA

No passado dia 14 de Setembro, no magnífico Hotel AcquaPura Douro Valley, teve lugar uma prova vertical de alguns dos vinhos da Quinta do Vale D. Maria. 
À prova estiveram o Porto Vintage, colheitas 1999 a 2009 e os tintos Quinta do Vale D. Maria, colheitas 1996 a 2010 e o CV (Curriculum Vitae), colheitas 2003 a 2010.

A Quinta Vale D. Maria fica no coração do vale do Torto, um dos afluentes do Douro, tem cerca de 40 hectares e pertence há mais de 200 anos à família da mulher de Cristiano Van Zeller, um dos mais reconhecidos viticultores durienses.

Sandra Tavares da Silva é a responsável pela equipa de enologia, contando com a vasta experiência de Cristiano na elaboração do blend final.

Os vinhos falam por si, expressando não só a sapiência de quem os elabora, como também as qualidades excepcionais do terroir que lhes serve de berço.

A prova iniciou-se pelo Quinta do V. Dona Maria. Ano após ano, este tinto tem vindo a afirmar-se, consistentemente, como o grande porta-estandarte da casa. De forma notável, este tinto exibe sobriedade, austeridade e elegância, características muito difíceis de conciliar.

Impressionante a sua colheita de 1996. Já um pouco evoluído na cor, como seria de esperar, este vinho mostrou uma frescura e uma acidez absolutamente eximias. Com taninos perfeitos e uma graduação de apenas 12%, conseguiu provar, de forma irrefutável, não serem necessárias grandes graduações para se conferir longevidade a um vinho.

Referências especiais são ainda devidas ao 2004 que, apresentando-se algo duro à entrada, revelou-se um vinho sublime e cheio de pujança, ao 2006 que sendo proveniente de um ano muito difícil no Douro, se mostrou cheio de personalidade e afinação e ao 2007, repleto de elegância e delicadeza.

De seguida passou-se à prova de todas as colheitas engarrafadas do CV, iniciais que significam Curriculum Vitae, mas que curiosamente são também as iniciais de Cristian Van Zeller.

Assumindo-se como os topo de gama da casa, os CV nasceram abençoados. São vinhos magníficos no porte e na textura. Profundos e complexos, estes tintos cativam pela sua enorme expressividade, genuinidade e finura.

Especial referência ao 2005, musculado, desenvolto e com uma acidez refrescante, o 2008, frutado, equilibrado e harmonioso e o 2009, cheio de vivacidade, frescura e uma vida promissora pela frente.

A prova terminou com os seus fantásticos e prodigiosos Porto Vintage. O Vinho do Porto corre nas veias de Cristiano Van Zeller. Faz parte integrante do seu código genético e corresponderá quiçá à parte mais significativa do seu imaginário infantil.                            

Desta relação umbilical só poderiam nascer Vintages com elevada concentração, exuberância e intensidade.

Destaque especial para o impressionante 2003. Muito especiado, este Vintage mostrou-se bastante fresco e sedutor. 

O 2008 mostrou uma estrutura e uma acidez absolutamente magistrais e o 2009 revelou-se muito comunicativo, com a fruta em bom plano e um final interminável. Vintages eloquentes, fulgurosos, com nervo e fio condutor.

Foi efectivamente uma prova memorável, mas que mais não veio demonstrar senão o facto dos vinhos da Quinta do Vale D. Maria pertencerem não somente ao santuário dos vinhos portugueses, como também ao grupo restrito dos vinhos com classe mundial.

domingo, 11 de dezembro de 2011

Cottas Reserva Tinto 2008

A Quinta de Cottas é uma pequena propriedade, com uma área de cerca de 10 hectares, situada no Cima Corgo, na Região Demarcada do Douro.
Produz vinhos de grande qualidade, elaborados, quase exclusivamente, a partir de castas tradicionais da região.
Este reserva tinto 2008, muito concentrado na cor, opaco e limpo, revela um nariz com grande elegância aromática, onde se destaca o seu carácter frutado, com os frutos silvestres em total predominância. Ligeiras notas florais e fumados muito bem integrados, mostram-se também de forma bastante evidente.
Na boca entra seguro e intenso, com a sua componente especiada a marcar aqui forte presença.
Com taninos suaves mas ainda muito presentes e uma frescura e uma acidez absolutamente notáveis, não obstante estar pronto a ser consumido, parece querer dizer-nos que o podemos guardar por uns bons tempos em cave.
Gordo e sedoso, potente e carnudo, este reserva tinto cativa pelo seu elevado equilíbrio, harmonia e elegância.
Complexo, amplo e com um final deveras sedutor, apresenta-se, não somente como mais um, mas como um tinto duriense ao qual é impossível ficar indiferente!
Nota pessoal: 17

segunda-feira, 11 de julho de 2011

DONNAIRES - UM NOVO PROJECTO NO DÃO!

Decorrido tanto tempo sobre a minha fase “mais presente” enquanto wineblogger, muitos já me haviam, certamente, como uma desistente! Se o pensaram…tiveram toda a razão! Estive, de facto, ausente durante muito tempo. Questões pessoais e afazeres profissionais assim o determinaram. 
No entanto, não o poderei negar, que a tudo isso se terá somado uma certa decepção com a dita “indústria do vinho” em Portugal e alguma dose de incredulidade sobre a “mais valia” que os winebloggers possam, eventualmente, acarretar para o desenvolvimento e transparência de todo este sector! 
Quanto à primeira questão…nada a fazer! Mea culpa, mea culpa…quem me mandou construir castelos na areia???
Quanto à segunda, e após longo período de reflexão, as conclusões a que cheguei são manifestamente favoráveis à minha permanência e, indesmentivelmente, deveras apologistas da defesa e do reconhecimento daqueles que, movidos por uma enorme paixão e desprovidos de quaisquer apoios financeiros, teimam em “erguer a bandeira”, promovendo, sem contrapartidas, o produto – VINHO!  
Escolhi para regresso, uns vinhos que estão agora a dar os seus primeiros passos! Trata-se de um projecto muito pequeno, que tive o privilégio de conhecer e acompanhar. Projecto esse que, dada a sua qualidade e a paixão e o cuidado com que é conduzido, me fez, de certa forma, transportar para os apaixonantes "petits vignerons" da famosa Borgonha! 
Os rótulos exibidos são ainda uma mera amostra daquilo que poderá vir a ser a sua imagem oficial, sendo que a maquete do tinto nem sequer é a da colheita provada. Entendi publicá-los para que possam ter uma ideia daquilo que irá, muito provavelmente, ser o seu aspecto final. 
Para aqueles que me seguiam (poucos…diga-se de boa verdade), as minhas sinceras desculpas. Procurarei, doravante, voltar a merecer a vossa valiosa atenção.
Assim sendo, aqui ficam as minhas impressões sobre estes vinhos prestes a sair para o mercado…

DONNAIRES ROSÉ 2010
De um rosado intenso e definido, este vinho, maioritariamente elaborado a partir da casta Touriga Nacional, apresenta um aspecto limpo e cristalino.
O seu nariz revela uma intensidade aromática discreta e elegante, onde predominam os frutos vermelhos, tais como morangos, cerejas e framboesas. Sendo notória uma ligeira mineralidade é, no entanto, a sua componente vegetal que lhe confere uma certa “finesse” e profundidade olfactiva.
Na boca mostra-se bem estruturado, com a fruta e as nuances vegetais em perfeita harmonia. Possui uma frescura correcta e uma acidez muito bem conseguida, as quais, associadas ao seu carácter mais seco, lhe atribuem um elevado potencial gastronómico. O seu final é de média intensidade, sendo, contudo, bastante cativante.
Não obstante a sua alegada mestria à mesa, não deverão ser descuradas a suas aptidões para funcionar como um excelente aperitivo.
Diria que se trata de um rosé de perfil mais sério e viril, que seduz e atrai pelo bom equilíbrio global dos seus componentes.
Nota pessoal: 16,5

DONNAIRES TINTO 2009
Bastante concentrado na cor, de um rubi profundo com abundantes tons violeta, este tinto ainda jovem exibe um “bouquet” dominado por notas de fruta preta e madura de boa qualidade.
Ameixas, amoras e mirtilos harmonizam na perfeição com notas balsâmicas e alguns laivos especiados. A madeira não se faz sentir em demasia, conferindo-lhe, de forma subtil, já uma certa complexidade. Delicadeza e requinte, definem bem o seu carácter aromático.

Na boca entra seguro e envolvente, revelando bom corpo e bom volume. Não obstante a sua juventude, os seus taninos firmes são também suaves e redondos, o que lhe permite exibir a elegância e nobreza tão peculiares aos vinhos da região que o viu nascer – o Dão.
Apesar de elegante, este tinto de bela acidez, possui também um vigor e um entusiasmo que lhe irão, certamente, permitir crescer de forma consentânea e promissora. Termina de forma longa e harmoniosa.
Em suma, estamos, seguramente, na presença de uma tinto simultaneamente frutado e terroso, firme e volumoso, macio e sedoso. Um vinho com muito para nos dar!
Nota pessoal: 16,5

sábado, 5 de junho de 2010

QUINTA DO MOURO 2004


REGIÃO: Alentejo
PRODUTOR: Quinta do Mouro
ENÓLOGOS: Miguel Louro e Luis Duarte
CASTAS: Aragonez (50%), Alicante Bouschet (25%), Touriga Nacional (20%) e Cabernet Sauvignon (5%).
TEOR ALCOÓLICO: 14,5%
P.V.P.: 25,00 - 30,00 € 

Grande ano se revelou este 2004! 
Pese embora as vozes discordantes, a verdade é que todos nós assistimos ao surgimento de grandes vinhos resultantes desta safra bendita!
E não me refiro apenas a vinhos provenientes do Alentejo, mas também a outros vinhos emergentes das demais regiões vitivinícolas portuguesas.
Já conheci quem afirmasse que este Quinta do Mouro 2004 é o melhor vinho de sempre daquela propriedade, o melhor vinho que alguma vez aquele terroir terá visto nascer.
Tenho dúvidas, muitas dúvidas aliás! Não porque este não seja muito bom…mas porque existem tantos outros, tão fantásticos…tão soberbos…ou até mesmo melhores ainda?!
Será mesmo possível haver melhor, dirão alguns?
Se tal acontecer, será meramente por uma questão de maior ou menor identificação com o perfil em causa.
Miguel Viegas Louro, o produtor responsável por tão ilustres vinhos, pessoa com a qual falei de forma muito fugaz na edição 2009 da Essência do Vinho, não concorda com a hegemonia atribuída a este Quinta do Mouro 2004.
Pessoalmente, segundo me afirmou, inclina-se mais para um perfil de jaez mais robusto, mas taninoso, mais difícil…nas palavras dele…!
Mas será que estamos perante uma vinho fácil, directo, imediatamente perceptível a qualquer consumidor que seja? Nada disso, digo eu!
Simplesmente, o que ele, Miguel Louro, me terá querido dizer, é que prefere vinhos mais duros, vinhos menos prontos à partida e que, por essa razão, revelem uma maturidade mais longínqua.
Afinal prontidão nunca foi sinónimo de longevidade, pois não…!?
Será mesmo, permito-me perguntar?!
Não obstante, entender que não poderemos, leviana e peremptoriamente, considerar este vinho como o melhor de sempre da Quinta do Mouro, a verdade é que julgo que estaremos mesmo perante uma excepção que confirmará a regra.
Perdão Senhor Produtor…mas não concordo consigo!!! Este seu vinho é um verdadeiro exemplo, aquilo a que poderemos chamar de puro case study e que poderá mesmo, atrevo-me a dizer, fazer escola em Portugal!
Publicamente assumo o risco! A título pessoal e sem qualquer medo ou receio, ouso afirmar…!!! Este vinho nasceu para ser diferente!
Passando agora à descrição das suas características organolépticas, poderei começar por falar do seu carácter frutado.
Se é certo que as frutas negras e maduras, como amoras e ameixas pretas, estão indubitavelmente bem presentes neste vinho, a verdade é que são as suas notas especiadas e até algumas sensações de chocolate e cacau, aquelas que maioritariamente ressaltam do seu nariz.
A boca impressiona, desde logo, pela sua perfeita estrutura, pelo seu notável volume e por uma frescura e uma acidez de tal maneira pujantes que só poderiam mesmo terminar num final verdadeiramente apoteótico!
Pressentindo-se uma adequada proporção e integração entre os seus vários componentes, nomeadamente, entre a fruta e a barrica, somos, de imediato, tentados a afirmar que harmonia e equilibro serão certamente os adjectivos que melhor caracterizarão este vinho.
Único e inimitável, este tinto alentejano será, sem margem para qualquer dúvida, um vinho carregado de carisma e de filosofia de autor.
Com nobreza e sobriedade, com uma garra e uma personalidade que a todos deveria encher de orgulho, este Quinta do Mouro 2004 é seguramente um grande vinho português.
Em suma, um tinto alentejano de classe mundial!

Nota pessoal: 18,5